O agradecimento e a pausa.

Agradeço ao DN-Madeira a oportunidade de escrever mensalmente pelo dia 10. Hoje é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Uma data esplêndida para relembrar a riqueza história, o génio português e a diversidade da Diáspora lusa pelo mundo fora.

Aproveito para informar aos eleitores do DN que pausarei a escrita em Agosto e Setembro. Não para férias, porque há anos que estas se resumem a seis dias. Mas porque integrarei, como já calculam, uma lista político-partidária. Assim, liberto qualquer tipo de favorecimento ou de prestação em desigualdade com as demais candidaturas.

O Ferry, o “segredo” e a ansiedade

Começa a ficar muito claro que há documentos que desmentem a tese da subsidiodependência, no que respeita à mobilidade marítima. Permanece óbvio quando, no caso da Ministra do Mar e do Vice-Presidente, se arrastam durante largos meses processos nos tribunais (com recursos e manobras dilatórias), para aceder à documentação fundamental. As “jogadas” estão nas fontes primárias e não nas que são omitidas ou ocultadas por agentes de informação, e que são repetidas sem “massa crítica”. A recusa daquelas duas entidades em facultar livremente a documentação aos deputados do JPP já não parece ser, simplesmente, uma “birra institucional”. Reina, num burgo da pequena escala, com tendência para crescer monopólios, uma espécie de “coligação institucional” entre o Vice-presidente (PSD) e a Ministra do Mar (PS), sobre a verdadeira natureza do ferry.

A expressão “segredo” foi mais profunda do que, à partida, se estimava. Segredo ou não segredo, o certo é que nem a Ministra nem o Vice-Presidente vieram a público confirmar o que sabiam. Ou seja, que o regulador (AMT, Autoridade da Mobilidade e Transportes) recomendou, de caráter obrigatório, que os 3 milhões de indemnizações compensatórias dão para uma operação anual (de 104 viagens) e que cobrem a quase totalidade da operação (24 viagens).

A ansiedade cresceu, também junto de um dos parceiros da “geringonça”, com teses imaginárias, do tipo “Rum” pós 23h. Que eu saiba o regulador ainda depende do Governo da República. Estarei à espera para que o bloquista peça responsabilidades aos parceiros do despacho (PS) e do despachante (PSD). Também não poderia esperar muito mais, de quem andou a receber “dois” subsídios de mobilidade à calada dos portugueses. Uma sobrecompensação de milhares.

Ferry: afinal, segundo o regulador, os 3 milhões, dariam para o ano inteiro.

Esta é uma das conclusões e recomendações do regulador. E mais. Que esses 3 milhões quase que cobrem a totalidade da operação (24 viagens), sem contar com outras receitas de passageiros e de carga. Trigo-limpo como se costuma dizer.

Partidos e “altifalantes” de grupos económicos

Não tenho nada contra o papel dos grupos económicos, sobretudo quando defendo progressivamente o papel do Estado na regulação e o papel da iniciativa privada no crescimento económico.

Mas há uma tese que fica, cada vez mais clara, clarinha. A tese dos subsídios para a carga, para o ferry, para o embarque, para o desembarque. A pouco e pouco vão-se descobrindo as teses quase incontestáveis…

Daí que fica muito claro que há partidos, analistas e agentes de informação que funcionam como uma espécie de “altifalantes com fio” dos grupos económicos dominantes. E, com a revelação da verdade, crescem as ansiedades e os passos em falso.

*Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias / 10-06-2019

Élvio Sousa

Líder do Grupo Parlamentar at Juntos pelo Povo
Doutor em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa de Lisboa e investigador do CHAM – Centro de História de Aquém e de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa; Presidente da Junta de Freguesia de Gaula;
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