A Região Autónoma da Madeira segue a tendência ocidental do envelhecimento demográfico. Havendo mais velhos do que jovens, as situações de isolamento e solidão social, principalmente nas zonas rurais, agravam-se com situações de pobreza, colocando os desafios associados a esta realidade merecedores de medidas visíveis e imediatas junto da população idosa.

O Serviço de Apoio Domiciliário é, por isso, fundamental na apresentação de serviços como os cuidados de higiene e conforto pessoal, a higiene habitacional, o fornecimento de refeições, o tratamento de roupa, atividades de animação e socialização, entre outras valências, à população idosa. Contudo, apesar dos mais de três mil idosos apoiados e das mais de quinhentas ajudantes domiciliárias, continuam cem pessoas em lista de espera e setenta a aguardar o alargamento do horário de serviços prestados.

O envelhecimento ativo é uma das bandeiras do atual Programa do Governo Regional, defendendo este que a institucionalização deverá ser o último recurso, algo sublinhado pela senhora Secretária dos Assuntos Sociais (ou candidata à Câmara Municipal do Funchal, não vemos a diferença…) e que o JPP também defende. A retirada do idoso da sua zona de conforto, do seu quotidiano, é quase sempre uma violência que comporta consequências psicológicas e emocionais, terminando no agravamento das suas condições de saúde.

A manutenção das rotinas da pessoa idosa, no seu ambiente familiar, seria salutar para todos: evitaria muitos internamentos, resolveria muitas altas problemáticas e permitiria ao idoso estar onde mais gosta, na sua casa.

A Drª Rubina Leal prometeu, após a entrada de 46 ajudantes domiciliárias no primeiro trimestre de 2016, aumentar esse número até ao final do mesmo ano, algo que até à data não aconteceu, sobrecarregando as que estão no ativo, acabando estas por não conseguir responder a todas as solicitações, pese embora todo o seu esforço e dedicação.

No que respeita ao sentimento de insegurança, principalmente nas zonas rurais e isoladas, onde muitos idosos vivem sozinhos, aconselhamos a criação de Centros de Noite que permitam ao idoso, durante o dia, estar na sua casa, desenvolver as suas atividades e, durante a noite, sentir-se protegido num espaço onde estejam vários profissionais prontos a prestar auxílio quando precisassem.

Por outro lado, não esqueçamos o cuidador informal, no caso dos idosos que têm essa salvaguarda, normalmente é alguém da família que está sujeito a desgaste físico, psicológico e emocional e que precisa de apoio para que também não fique ele próprio desprotegido.

Importa ainda deixar registado que estão seiscentos idosos a aguardar vaga num lar, quando nenhuma medida se vê em andamento no sentido de aumentar a oferta desta solução que, embora evitável, é a melhor perante situações de incapacidade pessoal ou de indisponibilidade familiar, muito comum e compreensível, atendendo à rotina da população ativa e às necessidades de apoio constante dos mais idosos.

Patrícia Spínola

Patrícia Spínola

Deputada Parlamentar em Juntos pelo Povo
Professora licenciada em Ciências da Educação – 1º Ciclo do Ensino Básico pela Universidade da Madeira; Pós-Graduada em Habilidades Sociais e Competências Profissionais para a Gestão em Organizações Públicas e Privadas pela Universidade de Cádiz; Mestranda em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, na Universidade da Madeira; Deputada Municipal no concelho de Santa Cruz; Membro da Comissão Alargada da CPCJ-Santa Cruz.
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