Várias entidades ligadas à área da saúde, paralelamente aos milhares de doentes que vivenciam as deficiências deste sistema regional, não têm, ao longo destes 3 anos de mandato da dita Renovação, grandes elogios a fazer por ausência de respostas atempadas e definitivas para aquilo que consideram ser as condições básicas de apoio nesta área de vital importância.

Hoje, quando as pessoas são convocadas para se apresentarem no hospital e serem sujeitas a uma cirurgia, tratam da logística profissional e familiar para os dias que se seguem e, chegadas ao hospital de mala em punho, são muitas vezes enviadas de volta para casa, para esperarem confortavelmente no seu sofá por mais um tempo infindável para nova convocação, se atenderem o telefone.

Hoje, ainda não é controlado o stock de medicamentos da farmácia hospitalar para que não existam ruturas consecutivas. Hoje, há tratamentos que são interrompidos porque há falta de medicamentos.

Hoje, os utentes que precisam de fazer exames complementares de diagnóstico recorrem, se para isso tiverem possibilidades, à oferta privada, por avarias sistemáticas duvidosas no sistema público, que nos levam a questionar qual o interesse particular de alguns para que isto aconteça. A verdade é que os mesmos aparelhos, no sistema privado e com maior uso (sim, porque tempo é dinheiro) estes não avariam com tanta frequência.

O SESARAM conseguiu finalmente reduzir as listas de espera, ligou aos utentes, um a um, pela voz constrangida do funcionário do outro lado da linha, a rastrear quem estava vivo, quem estava morto e quem ainda fazia questão de continuar… em espera. E foi desta forma que se tentou cumprir uma das promessas do governo na área da saúde.

Hoje, são integrados médicos a conta-gotas e, nos cuidados de saúde primários ainda há família sem médico. A rede de transportes de doentes não urgentes não supre as necessidades, deixa doentes com problemas de mobilidade e idade avançada na berma das estradas, horas à espera e, no sentido inverso, o seu atraso mantem várias camas e macas ocupadas no serviço de urgência quando as pessoas já foram atendidas.

Os profissionais deste sector dão o seu melhor apesar das condições de trabalho, que os obrigam a arranjar alternativas para colmatar as lacunas num setor tão vital para todos os madeirenses. Abro a mensagem de um enfermeiro, enviada para o meu telemóvel e leio: “Vê se me consegues explicar como se prepara medicação num serviço onde não há seringas nem soro fisiológico?! Ao que chegámos! Um terror! Para não falar em fraldas, toalhetes, adesivo…” Desabafa o profissional…. Recentemente, foi partilhada nas redes sociais uma foto daquilo que se entende servir de travesseiro no Hospital dos Marmeleiros que nada mais era do que um cobertor embrulhado e enfiado numa capa de almofada…

Apesar do PSD ter chumbado esta proposta na Assembleia Regional é mais do que pertinente a existência de uma Comissão Externa para Avaliação do Estado da Saúde na região!

*Artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira / 11-05-2018

Patrícia Spínola

Patrícia Spínola

Deputada Parlamentar em Juntos pelo Povo
Professora licenciada em Ciências da Educação – 1º Ciclo do Ensino Básico pela Universidade da Madeira; Pós-Graduada em Habilidades Sociais e Competências Profissionais para a Gestão em Organizações Públicas e Privadas pela Universidade de Cádiz; Mestranda em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, na Universidade da Madeira; Deputada Municipal no concelho de Santa Cruz; Membro da Comissão Alargada da CPCJ-Santa Cruz.
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