Uma das características mais elementares da crítica político-partidária consiste no ato de comparar as forças políticas em jogo, onde se sobressai os métodos, as pessoas e as ações.

As próximas eleições autárquicas de 1 de outubro, talvez das mais relevantes dos últimos anos, pelo facto de estar em jogo a per vivência da suposta ala da “renovação social-democrata,” haverão com certeza situações de desequilíbrio de maiorias absolutas em territórios que nunca experimentaram, no passado, esse modelo.

Para quem colocou a fasquia num patamar muito elevado, de vencer todos os municípios da Região Autónoma da Madeira, arrisca-se, entre outros cenários, a perder as maiorias executivas. Teremos, obviamente, cenários múltiplos.

O advento autárquico cria, também, uma espécie de ansiedade hiperbolizada, quer dos que ainda governam, quer dos que se candidatam a governar. É perfeitamente compreensível.

É curioso observar, também, as frequentes contradições de discurso. Tomando o exemplo da Ribeira Brava, e da parte do PSD – que se autoconfigura frequentemente de tolerante e de transparente – soubemos, esta semana, do fim de um projeto de destacamento de 13 anos para a Associação Desportiva do Campanário, com o objetivo de atingir o candidato do JPP, Luís Drumond. É, de facto, uma atitude que faz lembrar o velho método vingativo e musculado do PSD. Mais grave, quando o aparelho governamental, e em especial da Direção Regional da Inovação e Gestão, é usado para fins partidários e de perseguição política.

Outra contradição, com epicentro na Ribeira Brava, surge pelo lado do PS, de Carlos Pereira, que no aspeto da visão e do conhecimento da proximidade e da conjuntura locais fica muito “aquém de Lisboa”. Dizer que na Ribeira Brava concorrem do tipo “três PSD’s”, procurando inferiorizar, com esse argumento, as personagens em detrimento das ideologias é no mínimo fazer rir os teóricos e agradar aos práticos.

Contradição maior quando, por exemplo, vemos no Caniço, o mesmo PS apresentar um candidato que se desfiliou há 5 ou 6 meses do JPP, para ser cabeça-de-lista socialista. Pelo mesmo olhar e caracterização socialista a oeste, seria legítimo e inteligível considerar que, também, pelo Caniço concorrem dois JPP’s. Há cerca de um ano referi, neste matutino, que uma fação do aparelho socialista ajudou na desestabilização do executivo da junta de freguesia do Caniço. Pouco tempo depois, e com o cenário autárquico em vista, os factos vieram a garantir-me razão, sem sombra de quaisquer dúvidas.

Élvio Sousa

Élvio Sousa

Líder do Grupo Parlamentar em Juntos pelo Povo
Doutor em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa de Lisboa e investigador do CHAM – Centro de História de Aquém e de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa; Presidente da Junta de Freguesia de Gaula;
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