Muito se falou das imagens de violência à porta de uma discoteca do Funchal. Este acontecimento é a ponta visível do icebergue que é a educação nos dias que correm. E não confundir educação com instrução, ensino, competências. Educação começa em casa e é o livro de instruções para sabermos o que se pode e aquilo que não se pode fazer.

Assim e a coberto de uma pedagogia que tudo procura explicar e perdoar, porque as reações correspondem a traumas, assuntos não resolvidos, muitos jovens acham que têm “carta-branca” para todo o tipo de comportamentos, usando da violência verbal e física para impor a sua fraca argumentação. Estamos a falhar com esta turba de alienados que encontram nestes comportamentos antissociais o escape para uma vida interior miserável e sem sentido.

Quem está a falhar também são as forças de autoridade que têm conhecimento da recorrência destas situações e pouco ou nada fizeram pois não estavam lá. Os locais críticos em termos de abuso de álcool e substâncias psicotrópicas estão identificados e o que se pede é que a ação dissuasora das forças policiais se faça sentir com patrulhas e presença assídua nestes mesmos locais. Basta a presença das forças policiais para que determinados comportamentos não escalem.

Os estabelecimentos de diversão noturna têm também de fazer a sua parte. Os empresários da noite têm para além da vertente empresarial a responsabilidade social de contribuir para uma pedagogia comportamental que evite as situações de consumos abusivos. Não é “encharcar” o pessoal durante toda a noite e depois quando as situações saem do controlo fecha-se as portas e pronto. “Não temos nada a ver com essa situação, foi fora do estabelecimento e já estávamos fechados”… Fechados à culpa, fechados ao mal que estas rixas provocam, mas abertos aos jovens que, com dinheiro no bolso e sangue na guelra, vêm disposto a tudo para impressionar. Assim, são uma parte do problema!

Na vertente política tem de haver vontade para fiscalizar horários, venda de bebidas alcoólicas a menores. A ARAE de Rui Barreto tem de sair dos gabinetes e fazer aquilo que lhe compete, que é a fiscalização dos agentes económicos. É para isso que é paga. Mesmo que, por vezes, esses agentes económicos se movimentem muito bem nos corredores do poder…

Por último um apelo aos pais. Não se demitam da vossa responsabilidade de educar, os vossos filhos, os seus comportamentos quando são destrutivos e antissociais, são dedos apontados à vossa indiferença, à vossa falta de tempo para os ouvir, à vossa incapacidade de serem pais porque demasiado preocupados com uma carreira profissional que vos rouba aquilo que mais precioso têm. Quando acordam, muitas vezes o “caldo” está entornado e perguntam-se como é que aqui chegamos? É que por vezes o telefone toca e as noticias do outro lado rebentam-nos por dentro e nunca mais nos encontramos. E se fosse com o seu filho?

JOÃO CARLOS FREITAS

Assistente Técnico

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