São seis da tarde e mais um dia quente caminha para o fim. Chegou à hora do grupo fazer-se ao caminho para mais uma incursão por becos e ruelas da freguesia. Dão-se passos ligeiros, mas seguros, que pisam o caminho em cimento. Na entrada do beco, o corrimão recentemente colocado ajuda na subida. O local é bonito. Do topo de um muro de pedra emparelhada brotam fetos verdejantes e ao longo do percurso a água que corre na levada faz-nos companhia. Mais à frente, a sombra do corredor da vinha farta atenua mais um final de tarde quente. Depois de um dia de trabalho, cada passo dado pesa o dobro mas há uma confiança que impulsiona o grupo para a frente e que amaina qualquer fadiga.

Na primeira casa, por detrás do muro, surge o primeiro sorriso de boas-vindas. “Olha quem está aqui!”, disse a D. Cidália. Depois, logo abaixo, mais um abraço e outro sorriso. Os cumprimentos que, em cada esquina, em cada porta ou janela, são oferecidos a quem chega, vão apaziguando o cansaço que aos poucos desvanece e lançam-nos para a próxima porta. “Não vai entrar? Venha daí!”, convidou o Sr. Juvenal. O espírito de união no seio do grupo e a boa disposição vai reinando. Mas vamos em frente, há que pisar todas as pedras da calçada nesta missão de passar a palavra, percorrendo centenas de degraus que nos levam e trazem num vai e vem constante, onde a bússola que nos orienta é o dever de cidadania. Cheguei a casa cansado, é verdade, mas com a convicção de dever cumprido. Esse é o meu farol!

É nesta fase, a poucos meses das eleições autárquicas, que os candidatos se organizam para percorrer a malha estreita das acessibilidades de cada freguesia. Assim foi neste dia. Há elementos de todos os partidos que integram a Coligação Confiança, entre eles o Juntos pelo Povo e, mais do que ideologias, trazem convicções fortes e um dever de servir. O certo é que quem não andarilhou cada centímetro da freguesia ao longo de todo o ano, todos os anos, acaba perdido, sem norte. São os que não conhecem o caminho de volta e que, muitas vezes, acabam num beco sem saída. São os que batem com a cara na porta. As pessoas já sabem quem eles são, pela forma embaraçada como pisam a terra ou como trepidam quando saltam a levada, pela forma como procuram a campainha, em vez de baterem uma mão na outra com vigor enquanto, a plenos pulmões, chamam a “vizinha”. Em São Martinho, já senti que a equipa que está a conduzir os destinos da Junta de Freguesia, está como peixe dentro de água. Este é o seu habitat natural. Revejo-me, até pela matriz do movimento que represento, o JPP, e pela forma como o mesmo interage com a população.

Para receber esta gente, que agora concorre pela Coligação Confiança, a população da Freguesia de São Martinho apagou do seu léxico a expressão “só agora é que passam” tendo a mesma sido substituída por “entrem, já estava à vossa espera”. Isto é um sinal claro de Confiança.

RICARDO PESTANA
Assistente Técnico

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