“Não fomos eleitos para ocupar lugares, fomos eleitos para cumprir o que prometemos”, declarou este sábado Élia Ascensão, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz e coordenadora da Comissão Autárquica do Juntos Pelo Povo (JPP), partido que reuniu este fim de semana mais de uma centena de autarcas e convidados no Funchal.
Estas primeiras Jornadas Autárquicas decorrem sob o lema “A marca do JPP no poder local”. Um encontro de trabalho dedicado aos mais de 100 autarcas eleitos pelo partido e onde foram aprofundados os conhecimentos da função de autarca, a partilha de experiências, formas de encontrar novas soluções para os desafios do poder local e reforço das ferramentas de trabalho de todos aqueles que fazem do JPP a segunda maior força autárquica da Madeira.
“Em 2013, quando um grupo de cidadãos enfrentou o poder instalado e ganhou a Câmara de Santa Cruz, houve quem nos chamasse aventureiros. Disseram que éramos um fenómeno passageiro. Disseram que não passávamos de Santa Cruz. Disseram que um movimento nascido da rua não aguentaria o peso das instituições. Treze anos depois, os números falam por si”, destacou Élia Ascensão logo no início da sua intervenção.
A autarca lembrou aos presentes esses primeiros tempos do movimento que depois se transformou em partido. Em 2013, ainda como movimento de cidadãos, o JPP elegeu 59 autarcas; 68 em 2017; 61 em 2021; 106 em 2025, mais 45 do que em 2025. Desse total, 105 eleitos na Região, em sete dos 11 concelhos e em todas as freguesias do Funchal, e um autarca eleito em Gondomar, “porque a nossa forma de fazer política também já atravessou o mar”, disse.
“Quem confia em nós espera mais de nós”, prosseguiu Élia Ascensão. “Com mais mandatos, aumentam também as expetativas e a responsabilidade. Por isso quero dizer-vos, com toda a franqueza, uma coisa que nem sempre se diz em dias especiais como o de hoje: é agora que começa a parte mais difícil. Crescer é uma vitória. Mas o crescimento também traz riscos. Traz a tentação de cada um seguir o seu caminho. Traz a tentação do protagonismo individual. Traz a tentação de achar que o lugar conquistado está garantido. E há quem esteja à espera disso mesmo. Há quem conte com as nossas divisões, porque sabe que não nos consegue vencer quando estamos unidos”.
A líder da autarquia de Santa Cruz referiu três palavras que, na sua óptica, fazem parte da “marca” JPP no poder autárquico: unidade, lealdade e combate. “Unidade não é pensarmos todos igual”, sublinhou, avisando que “num partido vivo discute-se, discorda-se, debate-se, mas discute-se cá dentro, olhos nos olhos, com franqueza, e lá fora, perante os adversários e perante as pessoas, falamos a uma só voz”. E reforçou: “Quem ataca um autarca do JPP, na Calheta ou no Caniço, no Funchal ou em Machico, tem de saber que está a enfrentar o JPP inteiro.”
Para todos os que estão a chegar ao partido, Élia Ascensão vincou uma mensagem: “Não fomos eleitos para ocupar lugares. Fomos eleitos para cumprir o que prometemos. Lealdade para com este projeto, que é maior do que cada um de nós. E lealdade entre nós: o autarca que está sozinho numa assembleia de freguesia tem de saber que o partido está com ele.”
Por fim, o combate: “Não tenhamos ilusões. A Madeira é governada pelo mesmo partido há mais de cinquenta anos. Criaram-se hábitos. Criaram-se redes. Criou-se a ideia de que o poder pertence a alguns e de que a oposição é um incómodo a tolerar. É contra essa cultura que o JPP nasceu. E é contra ela que continuamos a lutar.”
Depois, o alerta de Élia Ascensão aos presentes: “O nosso combate não é o do ruído. Não é o do insulto, nem o do ‘bota-abaixo’. Esse trabalho sujo qualquer um faz, e as pessoas estão cansadas dele. O nosso combate é mais exigente. É o combate de quem leu o orçamento de ponta a ponta. De quem conhece o regulamento melhor do que quem o propôs. De quem chega à sessão com os números, com as perguntas certas e com uma alternativa na mão.”
“Uma oposição séria”, sublinhou, “relevante e construtiva é a oposição que mais incomoda, porque não se consegue desvalorizar, e onde somos governo, o combate é outro, e não é menor: é provar todos os dias que governar de outra maneira é possível”, destacou, para vincar: “No concelho e nas freguesias onde governamos, cada obra cumprida, cada medida justa, cada conta certa é o melhor argumento que podemos levar a todos os outros concelhos. É essa a verdadeira marca do JPP no poder local: fazemos diferente e fazemos melhor!”
A criação deste novo órgão interno tem objetivos definidos: “Não se vai para um combate sem preparação. Foi para isso que nasceu a Comissão Autárquica. E é por isso que estas Jornadas não são um ponto de chegada. São o primeiro dia de um plano de trabalho para todo o mandato.”
O plano de atuação assenta em três funções permanentes da Comissão: uma rede que liga os eleitos, os militantes e a Juventude; uma retaguarda técnica que os prepara; e uma ação política que os faz agir em conjunto.
Élia Ascensão dirigiu palavras de gratidão a Filipe Sousa, co-fundador do movimento e presidente da Câmara de Santa Cruz durante 12 anos, ao secretário-geral, Élvio Sousa, e à Juventude do partido: “Vocês não são o futuro do JPP, são já o presente. Precisamos da vossa energia, da vossa irreverência e das vossas ideias. Muitos dos autarcas que o JPP vai eleger em 2029 estão hoje sentados nesta plateia, incluindo os jovens. Preparem-se. Contamos convosco.”
As Jornadas Autárquicas dividiram-se em três painéis. O primeiro, “Ser Autarca do JPP”, moderado por Mariusky Spínola, abordou a experiência de quem conhece o poder local por dentro, entre eles, Filipe Sousa, Luís Gaspar, presidente da Assembleia de Freguesia do Caniço e Vice-Presidente da Assembleia Municipal de Santa Cruz, Milton Teixeira, presidente da Junta de Freguesia do Caniço.
Segundo painel: “O desafio de fazer oposição com resultados”, moderado por Lina Pereira, presidente do JPP, juntou os vereadores Fátima Aveiro e António Trindade, do Funchal, Miguel Ganança, de Câmara de Lobos, e Basílio Santos, da Calheta. “A voz dos autarcas” fechou o debate, com moderação do vereador António Trindade.
Integram a Comissão Autárquica Milton Teixeira, António Trindade, Lisandra Nunes, Basílio Santos, Luís Martins, Nuno Freitas e Miguel Ganança.




