A construção de uma autonomia regional depende da capacidade reivindicativa e da força que um determinado território demonstra ter perante o governo central. Para tal, é necessário construir uma identidade regionalista, que tem como base a memória comum dessa comunidade. Assim, o discurso político é fundamentado através de apelos memoriais seletivos, cuja finalidade desta prática deverá demonstrar uma determinação comum dessa sociedade no seu percurso histórico. A memória e o percurso individual são secundarizados e dissolvidos na composição da tese regionalista, que sustentará a reivindicação autonomista.
O discurso político regionalista tem como parte integral a oposição à submissão histórica de uma comunidade regional, aos governos centrais que administram o território regional desde um centro político-administrativo, e cujas políticas são de índole nacional não tendo em conta as especificidades características de cada região. Ao sentimento histórico devemos aliar a própria condição social de habitante insular, conforme considera Álvaro Monjardino: “Este sentimento histórico é muito próprio dos ilhéus (…), correndo a par com intensas suscetibilidades, verdadeiros complexos de inferioridade coletiva, que acompanham sombriamente os problemas insulares, e a ausência de soluções satisfatórias para eles”.
A perpetuação deste sentimento por parte da comunidade política tem como objetivo cativar opinião pública regional, com o propósito da legitimação das políticas adotas por vontade do “povo oprimido” com vista ao bem maior da região.
ANTÓNIO TEIXEIRA
Técnico de Apoio Parlamentar




