Num momento em que jovens de todo o país saem à rua para exigir mudanças nas políticas de habitação e medidas concretas para combater o aumento do custo de vida, a Juventude do Juntos Pelo Povo (JJPP) manifesta a sua solidariedade com este movimento e alerta que a Madeira enfrenta uma realidade igualmente preocupante, marcada por preços que dos mais elevados do país, rendas incomportáveis e uma grave escassez de habitação no mercado.
A Região não pode ficar à margem desta luta. Os indicadores demonstram que o acesso à habitação é um dos maiores desafios para os jovens madeirenses, que enfrentam dificuldades crescentes para conquistar a sua independência e construir um projeto de vida na sua própria terra.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, falou em motivações “meramente egoísticas” e ignorou propositamente a questão central, a propósito dos protestos. “Mas será egoísmo exigir um salário que chegue ao fim do mês? Será egoísmo querer uma casa sem comprometer quase todo o rendimento? Antes de criticar quem protesta, o Governo deve explicar o que está a fazer para resolver estes problemas”, desafia o vice-presidente da Juventucde do JPP, Diogo Monteiro.
A Juventude do JPP acrescenta que sabe da existência de forças políticas que não estarão ao lado dos jovens nesta reivindicação, nem vão solidarizar-se com este movimento pela habitação. “São as mesmas forças que estão no poder e devem achar que a exigência feita por este movimento não lhes diz respeito, é aqui que se vê a verdadeira liberdade de algumas forças partidárias de juventude, que em vez de ajudarem na solução preferem comprometer o futuro de todos”.
Os números falam por si: em 2025, os preços das casas aumentaram 17,6%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Na Madeira, a renda mediana dos novos contratos de arrendamento atingiu 12,78 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026. Para muitos jovens, a independência financeira continua adiada, não por falta de vontade de trabalhar, mas porque os rendimentos não acompanham o custo de vida.
“Há jovens com licenciaturas e mestrados que, depois de anos a investir na sua formação, são obrigados a ponderar emigrar para conseguir aquilo que deveria ser possível no seu próprio país: ter casa, constituir família, viver com estabilidade e ter direito a pequenos momentos de lazer, mas tudo é muito difícil para esta geração de jovens”, lamenta Diogo Monteiro.
Esta luta não começou com a geração atual, lembra o dirigente. Em 1976, menos de dois anos depois do 25 de Abril, milhares de pessoas manifestavam-se no Porto pelo direito à habitação, contra os despejos e o aumento do custo de vida. “Cinquenta anos depois, os filhos e netos dessas gerações continuam a enfrentar dificuldades para conseguir uma casa, e alguém acha isto normal?”, pergunta.
A democracia trouxe conquistas fundamentais, mas não podemos aceitar que direitos tão básicos continuem fora do alcance de tantas famílias. Quem lutou pela liberdade não o fez para que as gerações seguintes fossem obrigadas a abandonar a sua terra à procura de melhores condições de vida.
A Juventude do JPP exige medidas concretas: mais habitação pública e a custos acessíveis, melhores salários, combate à precariedade e políticas que permitam aos jovens permanecer na Madeira e construir aqui o seu futuro.
Portugal não pode continuar a formar jovens para depois os perder. A Madeira não pode continuar a exportar talento por falta de oportunidades.
Cinquenta anos depois do 25 de Abril, os jovens não pedem privilégios. Pedem condições para viver, trabalhar e construir o seu futuro. E isso não pode continuar à espera.




