Setor primário ao abandono.

Fomos confrontados, recentemente, com uma manobra propagandística do Governo Regional que enaltece a ligeira descida dos preços do combustível como um feito resultante exclusivamente das políticas regionais.

Curiosamente, tal manobra “esquece-se” de referir que esta alteração à fatura energética, não abrange os combustíveis praticados nas gasolinas conhecidas por “low-cost” (atualmente vedadas pelo PSD aos madeirenses), continuando também a subsistir a diferença de quase 10 euros na aquisição de uma garrafa de gás relativamente ao valor que se cobra nos Açores.

Mas a diferença dentro do setor dos combustíveis também se faz sentir para pescadores e agricultores madeirenses, os quais continuam a pagar mais 31,7% e 10% na fatura dos combustíveis que os congéneres açorianos.

É chocante constatar, por exemplo, que um armador que abasteça 10 mil litros de combustível na Madeira paga mais de 3 mil euros do que um armador açoriano. São custos de produção que os armadores regionais têm de acomodar para o desempenho da sua atividade.

Nos passados dois dias, recebemos a notícia de que os agricultores juntam as suas vozes aos protestos dos pescadores, e que todo o setor primário está descontente com as condições e valores pagos pelos seus produtos.

Juntando-se às preocupações já levantadas pelo JPP, os profissionais do setor primário alertam para a forma como o Governo Regional tem vindo a prejudicar os agricultores e a agricultura regional.

Não se consegue compreender que, num momento particularmente sensível, onde os fatores de produção aumentaram de uma forma VERTIGINOSA, onde os adubos agrícolas quase duplicaram, onde o aumentos dos combustíveis faz aumentar ESCANDALOSAMENTE o custo das matérias-primas, o Governo continua a olhar para o lado, ignorando o sector em vez de o proteger.

Pouco a pouco “cai a máscara” à propaganda do Governo Regional e, rapidamente, produtores e pescadores chegam à mesma conclusão: que o que faz o Governo não é apoiar o sector primário, é promover a escravidão.

Rafael Nunes, vice-presidente do grupo parlamentar do JPP.

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