O Grupo Parlamentar do JPP, através do deputado e vereador Miguel Ganança, esteve presente na Festa da Cereja, no Jardim da Serra, em Câmara de Lobos, valorizando uma cultura que faz parte da identidade agrícola, económica e cultural daquela freguesia e do concelho.
Para o JPP, a Festa da Cereja é também um momento para ouvir quem trabalha a terra e conhece, por dentro, as dificuldades da produção. E uma das preocupações que chegou ao partido é particularmente grave: o Laboratório de Qualidade Agrícola da Camacha, da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, não estará a realizar análises de solos nem análises fitopatológicas, fundamentais para identificar pragas, doenças e problemas que afetam as culturas.
“A confirmar-se esta situação, estamos perante uma falha grave no apoio aos agricultores”, alerta Miguel Ganança.
Este ano, felizmente, vários produtores reconhecem que a produção de cereja está um pouco melhor do que em anos anteriores. Mas isso não apaga os problemas de fundo. Como dizia um agricultor, com a simplicidade de quem sabe do que fala, “ninguém enriquece com isto”.
A frase resume bem a realidade de uma cultura exigente, trabalhosa, com pouca rentabilidade e muito dependente do clima, da saúde das árvores e da qualidade dos solos.
Entre os principais desabafos dos agricultores está uma preocupação concreta: muitas cerejeiras estão a secar e a morrer. Os próprios produtores apontam para problemas no solo e para a possibilidade de fungos nas raízes. Ora, este tipo de situação não se resolve com discursos nem com presença apenas nos dias de festa. Exige diagnóstico técnico, análises laboratoriais, acompanhamento no terreno e respostas ajustadas a cada exploração.
As análises de solo são essenciais para avaliar a acidez, a fertilidade e a necessidade de correções, nomeadamente através da aplicação de calcário quando tecnicamente recomendado. Sem esse trabalho, os agricultores ficam sem instrumentos para perceber o que se passa nas suas terras e para agir a tempo.
O JPP recomenda, por isso, que o Governo Regional esclareça publicamente o estado de funcionamento do Laboratório da Camacha e devolva rapidamente a este serviço todas as condições humanas, técnicas e materiais para cumprir a sua missão junto dos agricultores.
Para Miguel Ganança, “quem trabalha a terra sabe muito, observa muito e sente primeiro as dificuldades. Mas cabe ao Governo Regional garantir os meios técnicos, laboratoriais e humanos para transformar esses sinais em diagnóstico e esse diagnóstico em soluções”.
O JPP defende a criação de um programa regional de monitorização das culturas tradicionais, começando pela cerejeira no Jardim da Serra e pela vinha no Estreito, onde também há relatos de videiras a secar e produtores que sentem falta de respostas suficientes e de acompanhamento técnico continuado.
São culturas diferentes, com problemas próprios, mas há uma necessidade comum: análises de solo, análises fitopatológicas, apoio técnico de proximidade, ações de formação e medidas concretas de recuperação das plantas e dos solos.
“A cereja, a vinha e outras culturas tradicionais não podem ser lembradas apenas nos dias de festa. Têm de ser defendidas todos os dias, com políticas públicas sérias, presença no terreno e respeito por quem continua a cuidar da terra”, conclui Miguel Ganança.



