A recente decisão de emergência do Governo Regional da Madeira de transferir à pressa apenas trinta doentes com altas problemáticas para Instituições Particulares de Solidariedade Social é o reflexo inevitável de um sistema de saúde em rutura.
Esta medida, adotada exclusivamente para tentar evitar o cancelamento em massa de cirurgias no SESARAM, resulta diretamente de anos de má gestão, falta de planeamento e de uma total incompetência na criação de respostas sociais na Região.
O JPP já tinha alertado, em julho deste ano, que a incapacidade crónica do executivo em resolver a situação de centenas de pessoas que ocupam camas hospitalares por motivos puramente sociais iria culminar num bloqueio inaceitável e previsível dos hospitais Dr. Nélio Mendonça e dos Marmeleiros. O que se assiste hoje na Madeira é uma crise prevista e ignorada pela tutela.
A realidade atual dos números desmascara a propaganda do executivo regional, demonstrando que esta transferência de trinta utentes resolve menos de seis por cento do problema real, sendo uma autêntica gota no oceano perante as quinhentas e dezoito camas que se encontram reféns por problemas sociais em toda a rede do SESARAM. Só nos dois maiores hospitais da Região, existem duas centenas e meia de utentes com alta clínica a ocupar vagas de internamento, o que representa mais de quarenta por cento da capacidade total daquelas unidades e inviabiliza qualquer gestão cirúrgica normal.
Este bloqueio crónico gerou um efeito dominó, resultando em dezenas de doentes retidos em macas nos corredores do Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça e obrigando a administração a suspender temporariamente as visitas aos familiares internados na urgência, enquanto os programas de recuperação de listas de espera sofrem suspensões consecutivas.
Para o JPP, a resolução desta crise não passa por remendos temporários de última hora, mas sim por reformas profundas e imediatas que o partido tem defendido de forma consistente. É urgente estabelecer uma articulação obrigatória e um entendimento célere entre os departamentos governamentais que tutelam a Saúde e a Segurança Social, criando canais de comunicação diretos para que nenhuma alta clínica fique bloqueada por falta de resposta social.
Propomos a criação imediata de uma rede regional de cuidados continuados alargada e vocacionada para acolher idosos e pessoas dependentes, libertando as camas dos hospitais centrais para a sua verdadeira função de internar e operar doentes.
Adicionalmente, defende-se um forte investimento e reforço nos cuidados de saúde primários para reduzir a pressão sobre as urgências e, na vertente dos direitos dos cidadãos, a criação da figura do Provedor do Utente da Saúde para garantir que as reclamações por adiamentos de cirurgias tenham uma resposta independente e eficaz.
O JPP continuará a lutar contra a opacidade do sistema, exigindo que a saúde dos madeirenses deixe de ser gerida à base de pensos rápidos e passe a ter uma gestão hospitalar transparente, planeada e com dignidade.





