Hoje é o dia da Restauração de Independência, e em Santa Cruz celebrou-se, uma vez mais a data com a tradicional “Alvorada”.
O Natal está aí à porta. Nesta quadra achei oportuno oferecer alguns livros a várias personalidades da Região.
Hoje, sai o primeiro livro que terei o grato o prazer de oferecer a Miguel Albuquerque. Um clássico do século XVII, e que durante anos trocou aceso debate sobre a verdadeira autoria (o padre António Vieira ou o jesuíta padre Manuel da Costa). O livro sai pelos correios na segunda-feira.
A leitura desta obra é proveitosa e revela que a “arte de roubar” é extensiva aos “que furtam com unhas reais, os que furtam com unhas militares, os que furtam com unhas disfarçadas; os que furtam com unhas maliciosas; os que furtam com unhas descuidadas; os que furtam com unhas sábias.”
A obra não deixa igualmente de fora, também, aqueles que “furtam com unhas de gato; os que furtam com unhas bentas; os que furtam com unhas mentirosas; os que furtam com unhas alugadas; os que furtam com unhas políticas; os que furtam com unhas de prata”.
Segundo o autor a “ladroice é descarada e acontece de mil maneiras”.
A este propósito o Presidente do Tribunal de Justiça Henrique Araújo dizia em entrevista que o “fenómeno da corrupção, que está instalado em Portugal, tem uma expressão muito forte na Administração Pública. Isto não é uma simples perceção, é uma certeza”. Aflora que os recursos se sucedem para as várias instâncias, pois “os ladrões, à solta, riem-se de todos nós. É a justiça. Destituída dos mecanismos essenciais para funcionar sem bloqueios, continua, de tribunal em tribunal. Sempre á espera das condições indispensáveis para julgar e para decidir em tempo útil.”
Na dedicatória a Albuquerque achei conveniente salientar o pensamento de LAO TSE:
“se o povo deixa de temer o teu poder é porque um grande poder se aproxima”
(LXXII, Tao Te, Estampa, p.85)
Boas leituras.
Élvio Sousa, líder do JPP



