Ao longo dos últimos anos, e de forma mais evidente durante a campanha eleitoral de 2025, o Governo Regional da Madeira, através do seu Secretário Regional da Educação, Dr. Jorge Carvalho, assumiu perante os docentes madeirenses compromissos claros e inequívocos. Foram feitas promessas de que se poria termo a uma das mais gritantes injustiças do sistema educativo regional: as ultrapassagens na carreira docente, que continuam a criar desigualdades intoleráveis entre profissionais com idêntico tempo de serviço. Foi também assegurado que se acabaria, de uma vez por todas, com o regime de quotas que condiciona a progressão aos 5.º e 7.º escalões, perpetuando bloqueios artificiais à evolução natural da carreira.
Estas palavras, repetidas em diferentes ocasiões e sempre em tom de promessa resoluta, alimentaram a esperança de milhares de professores, muitos deles já cansados de ver as suas legítimas expectativas adiadas por sucessivos governos. Contudo, passados meses desde as eleições e já com um novo ciclo político em curso, a verdade nua e crua é apenas uma: nada foi resolvido. O discurso ficou registado, os compromissos constam dos debates parlamentares e dos encontros com sindicatos e associações, mas a realidade das escolas madeirenses mantém-se inalterada.
O resultado é um profundo sentimento de desilusão e até de descrédito. Os docentes, que têm sustentado com esforço, dedicação e profissionalismo a qualidade do sistema educativo regional, veem-se mais uma vez confrontados com a distância abissal entre a retórica política e a prática governativa. Enquanto os professores continuam a trabalhar em condições de desigualdade e frustração, o responsável máximo pela pasta da Educação, o mesmo que tantas vezes assegurou que estas questões estavam no topo das prioridades, abandona agora o Governo para se lançar numa nova aventura política: a candidatura à Câmara Municipal do Funchal.
Esta saída, do Dr. Jorge Carvalho, no momento em que as promessas feitas permanecem por cumprir, só pode ser lida como um ato de oportunismo político. Em vez de honrar os compromissos assumidos, preferiu virar a página em busca de um novo palco, deixando para trás uma classe profissional desiludida e, sobretudo, traída. É legítimo que se questione: que valor têm afinal as palavras proferidas em campanha? Que confiança podem ainda depositar os cidadãos e, em particular, os professores, num responsável político que não cumpre aquilo que jurou resolver?
A Educação não pode ser apenas um instrumento de retórica eleitoral. Está em causa a dignidade de uma carreira, a justiça para com milhares de profissionais e a credibilidade de quem governa. Os professores madeirenses merecem respeito, não apenas no discurso, mas nos atos concretos. E a história recente mostra-nos que, neste caso, as promessas ficaram no papel e o compromisso político cedeu perante a ambição pessoal.
Álvaro Martins
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