O líder do Juntos Pelo Povo (JPP), Élvio Sousa, defendeu a afirmação de um partido regional como resposta estruturada às dinâmicas autonómicas e à evolução do sistema político na Madeira, sustentando que o percurso do JPP resulta de uma construção pensada, com base cívica e apoio popular, e não de um fenómeno circunstancial.
O dirigente enquadrou a criação do partido, afirmando que “Para quem tem estudado os fenómenos da aspiração autonómica, normalmente associados às movimentações das elites insulares, assistiu, em 2015, à criação do partido Juntos Pelo Povo (JPP)”.
O líder do maior partido da oposição explicou que “Na base da sua criação esteve um projeto refletido e um pensamento teórico- académico, assente num movimento de cidadãos criado em Santa Cruz, e com destacável apoio popular. Um aspeto que diverge da grande maioria dos esforços de criação político-partidária anteriores”.
Numa perspetiva histórica, o parlamentar recordou que “A tentativa de um grupo formado pelo padre Augusto da Silva e de Luís Vieira de Castro de criar, em 1923, um partido regional foi em vão, talvez pelo seu carácter conservador, e demasiado ambicioso, sem o extensivo apoio popular”.
Sobre a estratégia política, o deputado defendeu que “É sempre preferível começar do particular para o geral, ou seja, consolidar um projeto político-social à escala mais reduzida, ganhar credibilidade e sustentabilidade, e depois alargar a sua extensão territorial”.
Élvio Sousa sublinhou ainda o enquadramento constitucional, referindo que “A revisão constitucional permitiu a criação de grupos de cidadãos eleitores às candidaturas dos órgãos autárquicos e, na prática, abriu uma janela de oportunidade para aglutinar frentes cívicas oriundas de fora dos aparelhos partidários”.
Dirigindo-se aos críticos, o deputado afirmou que “Para aqueles que julgam que o JPP foi criado na base de um acaso ou de uma organização espontânea, sugere-se que leiam o Acórdão do Tribunal Constitucional n.º 256/95 que reconhece que os partidos, com alguma base regionalista, também são admitidos pelo ordenamento constitucional, observando que ‘há que distinguir entre a defesa dos valores regionais ou regionalistas em todo o país e a assunção de uma postura regionalista circunscrita a certa área do território nacional.’”.
No plano estratégico, Élvio Sousa sustentou que “Estamos em crer que o caminho deve ser a consolidação da base territorial, e depois repensar o futuro”.
O líder parlamentar do Juntos pelo Povo acrescentou ainda que “Como já vos tenho lembrado nestas ocasiões dominicais, a ascensão do JPP a maior partido da oposição assentou em pilares estratégicos, de domínio e de visão de conjunto, alicerçados numa mensagem simples, objetiva, e de base popular, que muitas apelidam manhosamente de populista”.
Rejeitando críticas, Élvio Sousa afirmou que “Dizer a verdade, chamar os ‘bois pelo nome’, não permitir que a mentira faça caminho e realçar os problemas que preocupam a população, não é populismo, é realidade popular. A juntar ao rol de propostas e de soluções rejeitadas pela maioria parlamentar”.
Sobre o futuro, o deputado garantiu que “O plano está traçado. O tempo do municipalismo e do ‘tribalismo de classe’ deve ser substituído por um novo paradigma de extensão territorial e de captação de mais rostos”.
No que toca à organização interna destacou que “Além das estruturas internas criadas para o acompanhamento e formação dos novos autarcas, a Comissão das Mulheres do JPP já trabalha no terreno, com a astúcia de Fátima Aveiro, o rosto dos mais de 10 mil votos alcançados no Funchal”.
O líder parlamentar do JPP acrescentou que “A Juventude, agora com mais filiados, alinha com novos e antigos rostos. A Comissão Autárquica, liderada pela presidente de Câmara Élia Ascensão, prepara a formação e as jornadas do partido. A criação, em breve, do novo Gabinete de Estudos e Estratégia fará o apoio programático”.
A concluir, Élvio Sousa afirmou que “O tempo urge, e a ação gera ação. O exemplo germina noutros exemplos. A capacidade de fazer e de criar capacitam outras oportunidades. Mais portas, mais luz!”, rematando com a citação: “Como nos ensina a velha sabedoria oriental ‘As oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas.’ (Sun Tzu)”.



