O artigo deste mês não poderia ter outro rumo que não fosse o de um profundo e sentido agradecimento à minha mãe. Não só porque maio assinala o dia das mães, mas sobretudo porque este maio, de 2019, assinalou também a perda da mulher a quem devo a vida e todos os ensinamentos e princípios que me orientam desde sempre.

Não importa com que idade se perde uma mãe. A sensação é sempre a da profunda solidão que essa perda transporta e a de uma saudade que não mais desaparece.

Da minha mãe guardo a memória do amor com que se dedicava à família e à vida, da alegria que transportava, da entrega aos amigos, da humanidade que exercia em relação aos outros.

Mas também guardo tudo aquilo que me ensinou e que fez de mim o homem que hoje sou. Ensinou-me a bondade, a urgência das coisas certas, a importância de sermos verdadeiros, a dedicação aos outros como causa própria, um sentido de justiça e de humanidade. Mais do que as ideologias políticas, é da minha mãe que herdei as traves mestras que me orientam como homem e como político. Sim, porque não existe uma fronteira entre estas duas esferas. Também isto aprendi com a minha mãe. Aprendi a ser o mesmo e com os mesmos valores na esfera privada e na vida pública. Só assim faz sentido abraçar causas, só assim faz sentido a entrega, só assim faz sentido o caminho próprio e o projeto coletivo.

A minha mãe ensinou-me que um Homem vale pelas suas ações e que estas ações devem ser orientadas por uma profunda humanidade, justiça e, sobretudo, fidelidade ao que somos.

A minha mãe ensinou-me também a alegria da vida e da música.

Como filho, e como homem, quero estar à altura de tudo o que dela ecoa em mim. Quero estar à altura de ser o filho que ela educou. Quero estar à altura da Dona Rita e da sua grandeza e sabedoria feita de humanidade e justiça. Se conseguir isto, sei que não falhei. Se conseguir isto, sei que não te falhei, querida mãe.

E porque a minha mãe também me ensinou a agradecer, quero, neste momento, agradecer a todos os que se fizeram presentes, que deram apoio, que enviaram mensagens e, dessa forma, acompanharam a mim e à minha família neste momento de dor e tristeza. Agradecimento extensivo às equipas de saúde que acompanharam a minha mãe, pela humanidade e profissionalismo que testemunhei. A todos, um bem haja!

A ti, minha mãe, é impossível dizer adeus. Apenas posso dizer que vou continuar a sorrir à vida com o teu sorriso, a tocar música com a tua alegria, e a olhar os outros com o teu sentido de humanidade.

Obrigado, mãe!

*Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias / 26-05-2019

Filipe Sousa

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