Palavra dada deverá ser SEMPRE palavra honrada. Este é um princípio que sempre me ensinaram. E acredito que muitos leitores se identificarão com esta “premissa”. Desde o contexto familiar, berço da nossa educação, aos vários contextos que vão fazendo parte do nosso Todo, enquanto Pessoas.

Infelizmente, muitos e muitas regem a sua (IN)ação por princípios contrários: o não cumprimento da palavra dada passa a ser o seu alicerce. Como defendeu Maquiavel, já no século XVI, “os príncipes que realizaram grandes feitos deram pouca importância à palavra empenhada e souberam envolver com astúcia as mentes dos homens, superando por fim aqueles que se alicerçaram na sinceridade.”

Volvidos são 5 séculos, materializam-se estas palavras: assumem-se compromissos, mas o seu cumprimento não passa de uma miragem em pleno deserto. E esta atitude torna-se ainda mais grave quando quem assume estas atitudes são pessoas eleitas com a função de defender os nossos legítimos interesses, enquanto cidadãos, seja de forma individual ou de forma coletiva.

O último exemplo (caricato, no mínimo!) foi a palavra dada pelo Governo Regional, na voz do Vice-presidente Pedro Calado, aos assistentes operacionais: um suplemento remuneratório de 40€ a todos os assistentes operacionais, com mais de 10 anos de serviço, do Serviço Regional de Saúde, a partir de 1 de outubro de 2019.

Quase 5 meses depois, o discurso muda, agora na voz do Secretário Regional da Saúde, Pedro Ramos: um suplemento remuneratório aos assistentes operacionais do SRS é injusto!

Sabe o senhor Secretário Regional que os assistentes operacionais do Serviço Regional de Saúde com 20 e 30 anos de serviço auferem, mensalmente, cerca de 20 euros a mais do que um profissional que inicie agora as suas funções, com um ordenado mínimo?

Sabe o senhor Secretário Regional que esse valor não atinge os 700 euros?

Sabe que, todos os anos, o valor da água, da luz, de produtos essenciais aumenta? Mesmo que seja um aumento residual, para alguém que aufere baixos rendimentos e que, além disso, não vê refletido nem 1 cêntimo de aumento no seu vencimento, esse aumento torna-se insustentável?

Como consegue defender, em plena casa da Democracia e após a PALAVRA DADA a estes profissionais, que é injusto criar-lhes o suplemento remuneratório?

Neste caso cumpre-se, não a PALAVRA dada, mas a sua afiguração no momento oportuno, pois “aparentando tê-las, são úteis”. E foram.

LINA PEREIRA

Assistente Social

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