Mobilidade: JPP aponta “contradições, incompetência e prejuízos para os insulares”

Num dia “fértil em várias opiniões contraditórias vindas de dentro do próprio Governo da República do PSD/CDS, com dois ministros a garantirem coisas diferentes, mas também incredulidade ou ingenuidade do Governo Regional do PSD/CDS”, o deputado do Juntos Pelo Povo (JPP) na Assembleia da República considera que as alterações à lei que cria e regula o Subsídio Social de Mobilidade (SSM), “e tudo aquilo a que assistimos nas últimas 24 horas, revelam incompetência, trapalhada e enormes prejuízos para os povos insulares”.

“Do pouco tempo que levo na Assembleia da República, torna-se cada vez mais evidente, na casa da democracia, que demasiadas decisões continuam a ser condicionadas por interesses partidários, lógicas de aparelho e estratégias de sobrevivência política, em detrimento das reais necessidades dos cidadãos”, declarou Filipe Sousa, na tarde desta quarta-feira.

O deputado prosseguiu: “Tenho assistido, com crescente perplexidade, à forma como matérias absolutamente estruturais para a vida dos portugueses — e, em particular, dos cidadãos das regiões autónomas — são tratadas com improviso, ligeireza e uma alarmante falta de sentido de responsabilidade política.”

No domínio da mobilidade, acrescenta, “muito se tem falado, mas pouco se tem resolvido”. Recorda que o Fundo de Garantia proposto pelo JPP foi recusado com a cumplicidade do PSD, do PSD-Madeira, do CDS, do PS, do PS-Madeira, do Chega e do Chega-Madeira, do PCP, IL. “Essa proposta era um instrumento limpo, servia os direitos dos povos insulares e das companhias, mas todos traíram os madeirenses e os açorianos e preferiram proteger o governo e o centralismo lisboeta, agora estão abismados com o quê?”, pergunta.

Ainda relativamente ao que se tem passado nos últimos dias em torno das alterações ao SSM, “importa ser absolutamente claro”, refere Filipe Sousa. “Não sou eu quem tem de dar explicações, essas explicações cabem ao Governo da República, ao Grupo Parlamentar do PSD, ao Governo Regional que esteve representado no grupo de trabalho e aos Deputados do PSD eleitos pela Região Autónoma da Madeira.”

“Cabe-lhes explicar as contradições evidentes, a suspensão dos serviços, a incapacidade de garantir o normal funcionamento do sistema em vigor, a incapacidade de o melhorar e o facto de os insulares estarem hoje a ser reembolsados com atrasos maiores do que nunca, precisamente num mês que é tradicionalmente penoso para muitas famílias”, salienta.

“Da minha parte, deixo um desabafo pessoal, mas politicamente assumido: sinto vergonha pelo ponto a que se chegou, mas estou, simultaneamente, cada vez mais convicto de que estou exatamente no lugar certo. É aqui que faz sentido continuar a trabalhar de forma desprendida, insistir quando é mais fácil calar, incomodar quando é mais confortável alinhar e lutar para levar a bom porto as verdadeiras soluções”, assume Filipe Sousa. “Continuarei empenhado até que sejam finalmente eliminadas as barreiras à mobilidade e à coesão territorial que o Governo e o Parlamento teimam em não resolver.”

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