MADEIRENSES E AÇORIANOS NÃO SÃO ESCRAVOS DE NÍNGUEM

Filipe Sousa reage às declarações de António Leitão Amaro e acusa o Governo da República de falhar a continuidade territorial, desafiando o ministro a anunciar datas para a regulamentação do Subsídio Social de Mobilidade e para a implementação da ligação marítima regular de passageiros e mercadorias

As declarações do ministro da Presidência são inaceitáveis e profundamente reveladoras da forma como o Governo da República continua a encarar as Regiões Autónomas.

Num dia em que deveria ter aproveitado para pedir desculpa aos madeirenses e açorianos pelo incumprimento continuado do princípio da continuidade territorial, António Leitão Amaro preferiu vir à Madeira acusar de “irresponsabilidade” quem luta por mais justiça e por mais direitos para os cidadãos das ilhas.

Irresponsável é um Governo que continua sem garantir aos madeirenses e açorianos condições de mobilidade idênticas às dos restantes portugueses. Irresponsável é manter um sistema que obriga milhares de famílias a adiantar valores incomportáveis para poderem exercer um direito que lhes assiste. Irresponsável é anunciar soluções atrás de soluções e continuar sem apresentar resultados concretos.

Os madeirenses e os açorianos não são portugueses de segunda, nem são escravos de ninguém. Não podem continuar reféns das decisões tomadas em Lisboa, nem aceitar que a sua condição insular seja tratada como um incómodo ou uma despesa.

Em vez de distribuir insultos e lições de moral, o ministro devia dizer aos portugueses das regiões autónomas aquilo que realmente interessa: para quando a regulamentação definitiva do novo modelo do Subsídio Social de Mobilidade? Para quando o cumprimento integral da continuidade territorial? Para quando a criação de uma ligação marítima regular de passageiros e mercadorias que aproxime efetivamente as ilhas do continente?

Aliás, é fácil falar de “irresponsabilidade” entre cerimónias, banquetes, comemorações e receções oficiais. O difícil é falar como o povo, é explicar a um estudante, a um doente deslocado ou a uma família madeirense porque continua a ser obrigada a adiantar centenas ou milhares de euros para viajar. O difícil também é vir à Madeira para celebrar a Autonomia e não trazer uma única resposta concreta sobre matérias que há muito aguardam resolução. Os madeirenses não precisam de discursos nem de sermões. Precisam de datas, de compromissos e de resultados.

São estas as respostas que os madeirenses e os açorianos esperam ouvir. Não precisam de sermões, nem de paternalismo político. Precisam de respeito, de compromisso e de medidas concretas.

A Autonomia não se celebra com discursos. Respeita-se com ações. E aquilo que os madeirenses viram e ouviram foi mais uma demonstração de arrogância política de quem continua a não compreender a realidade das regiões autónomas e as dificuldades que diariamente enfrentam os seus cidadãos.

São Bento, 12 de junho de 2026.

O Deputado 

Filipe Martiniano Martins de Sousa

Deputado único representante do Partido Juntos Pelo Povo

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