O mês de outubro chegou e, com ele, o ano caminha para o seu final. A curva descendente que se iniciou no verão entrou numa velocidade estonteante capaz de provocar constrangimentos na vida diária das pessoas. E já não basta apontar o dedo e culpar os outros. É preciso que todos nós reflitamos, façamos um exercício de autorreflexão sobre o que realmente queremos para o nosso futuro. O que mais me espanta é ver, ler, escutar os lamentos, as dificuldades, os obstáculos de todos aqueles que se levantam todos os dias para garantir um “pedaço de pão” à mesa e depois, do outro lado da barricada, ouvir dizer que está tudo bem.
Há aqui um contrassenso que é preciso desmontar. E, invariavelmente, surge a questão principal: Então, se está tudo bem porque é que existem cada vez mais lamúrias daqueles que vivem o mundo real? A Madeira, devido à sua condição autonómica, sempre teve a capacidade de se superar, assente na resiliência do seu Povo que demonstrou ser feito de fibra. Arregaçou as mangas e partiu para a luta, sem nunca arranjar desculpas nem se acomodar ao fatalismo ilhéu. Uns emigraram, outros migraram e outros (não menos importantes) permaneceram para defender a nossa identidade, a nossa ancestralidade, as nossas tradições.
A conjuntura mundial, dizem uns, é a responsável pelo estado atual das coisas. Será? É verdade que não podemos ficar indiferentes ao que se passa, sobretudo nas implicações que transformam o nosso dia a dia. Por arrastamento, o nosso olhar deixa de ter uma visão macro para se confinar a uma visão micro, de dimensão regional. Não podemos cair no engodo da crítica fácil, nem tão pouco no comodismo de culpar os outros por tudo o que nos acontece. E aqui há que dar “um puxão de orelhas” ao Governo Regional liderado por Miguel Albuquerque.
Diz o provérbio popular que “Forte com os Fracos, fraco com os fortes”, sabiamente transmitido de geração em geração para compreender algumas atitudes e comportamentos. É o que sentimos presentemente na Madeira. Um Governo que asfixia, condiciona, amedronta quem aqui vive, demonstrando uma capacidade de superioridade que depois não extrapola na hora de exigir ao Governo da República. A subserviência a Lisboa é de tal ordem gritante que, por momentos, nos faz retroceder à Idade Média. Lisboa é o Senhor Feudal que põe e dispõe do seu feudo insular (Madeira e Açores) como bem entende, apesar das reclamações. E quando estas sobem de tom, o castigo é maior. Somos penalizados por sermos ilhéus… somos penalizados no custo dos transportes (quando os há)… somos penalizados no acesso aos melhores serviços de saúde… somos penalizados nas oportunidades de progresso… somos penalizados pelo custo de vida. O bem-estar duma sociedade mede-se pelas respostas sociais que são disponibilizadas num equilíbrio entre a oferta e a procura. O que sentimos verdadeiramente é que os dias se tornaram meses na espera por melhores dias! Só com novas políticas, viradas para as pessoas é que poderemos reconstruir um novo futuro. Priorizar os recursos, orientados para os de cá! Equilibrar contas, mas sem asfixiar os de cá! Promover a competitividade, mas sem fechar portas às empresas de cá! Incentivar a produtividade, mas sem iludir os de cá! Porque atualmente na Madeira os dias não são iguais aos do calendário! São longos meses travestidos de horas, minutos, segundos em momentos!
José Carlos Mota
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