A literatura e a cultura portuguesas estão mais empobrecidas com a morte do escritor, poeta e jornalista madeirense, José Viale Moutinho. A riqueza da herança que nos deixa imortaliza-o em obras de excelência reconhecidas pelos seus pares e críticos, através dos vários e prestigiados galardões que lhe foram atribuídos, tais como o Prémio Júlio Pereira de Matos da Casa da Imprensa de Lisboa (com “Crónica do Cerco”, em 1978), o Prémio Rosália de Castro do Centro PEN Galego (em 2012) e, mais recentemente, o Grande Prémio de Literatura DST (em 2024, com a obra poética “Desaparecimento Progressivo”).
Foi ainda distinguido com a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores e com as medalhas de mérito dos municípios do Funchal e do Porto.
José Viale Moutinho levava a literatura com extrema seriedade, mas recusava-se a levar-se demasiado a sério a si próprio. Dono de um sentido de humor desconcertante, recordava, entre risos, que após publicar o seu livro de estreia na poesia, “O Corredor” (1966), optou simplesmente por “queimar a edição toda”.
“Mais do que evocar os seus prémios, importa ler e reler a herança que nos legou”, sugere o líder do Juntos Pelo Povo (JPP), Élvio Sousa. “Nestes tempos distópicos de omnipresença dos ecrãs, abrir um livro de papel e lê-lo tornou-se a derradeira forma de subversão. Mergulhar na escrita de José Viale Moutinho é um ato de liberdade e de gratidão para com aqueles que, como ele, fizeram da literatura a sua principal ferramenta de trabalho e de intervenção”, refere o dirigente político no texto do Voto de Pesar submetido à Assembleia Legislativa da Madeira (ALRAM).
O líder do JPP termina com uma palavra de conforto à família de José Viale Moutinho e endereça-lhe sentidas condolências.




