Juventude do JPP denuncia caos nos exames nacionais e exige responsabilidades

A Juventude do Juntos pelo Povo (JPP) considera inadmissível o caos instalado no processo de classificação e divulgação dos exames nacionais, que está a comprometer um dos momentos mais importantes da vida académica de milhares de estudantes.

Depois dos sucessivos atrasos na divulgação das classificações, surgem agora centenas de provas sem classificação, assinaladas como “suspenso”, devido a falhas no processo de classificação digital, incluindo casos de itens ou páginas em falta. Um sistema que prometia maior eficiência acabou por gerar incerteza, desorganização e falta de confiança junto dos estudantes, das famílias e das escolas.

Na Região Autónoma da Madeira, onde as classificações apenas são divulgadas este sábado, a situação assume uma gravidade acrescida. Os estudantes madeirenses ficam com menos tempo para tratar das candidaturas ao ensino superior, reunir documentação, procurar alojamento, reservar viagens e preparar a sua deslocação para o continente, sendo penalizados por falhas que não provocaram.

Também causa estranheza a postura da Secretaria Regional de Educação, que se limitou a afirmar que a Madeira era alheia a estes problemas. Independentemente de a classificação dos exames nacionais ser uma competência do Estado, compete ao Governo Regional defender os interesses dos estudantes madeirenses, acompanhar de perto uma situação que os prejudica diretamente e exigir ao Ministério da Educação respostas rápidas, soluções eficazes e garantias de que nenhum aluno da Região será prejudicado por falhas do sistema. Perante um problema desta dimensão, o silêncio e a passividade não podem ser a resposta.

A Juventude do JPP recorda que foi a única estrutura política da Região Autónoma da Madeira a alertar publicamente, ainda na semana passada, para os problemas que já se faziam sentir no processo de classificação dos exames nacionais e para as consequências que estes atrasos poderiam ter para os estudantes. Infelizmente, os acontecimentos dos últimos dias vieram confirmar esses alertas e demonstram que as preocupações levantadas eram legítimas.

Importa igualmente reconhecer o profissionalismo e o sentido de responsabilidade dos milhares de professores classificadores que, apesar dos constrangimentos técnicos e das dificuldades associadas à implementação do novo sistema digital, continuaram a assegurar a classificação das provas com o rigor exigido.

A modernização da Administração Pública só faz sentido quando melhora a vida das pessoas. Neste caso, aconteceu precisamente o contrário. A tecnologia, que deveria simplificar procedimentos e reforçar a confiança no sistema, acabou por criar mais atrasos, mais burocracia e mais insegurança.

É inadmissível que os estudantes sejam confrontados com esta sucessão de falhas por motivos que lhes são totalmente alheios. Os jovens fizeram a sua parte. O Estado tinha a obrigação de garantir um processo rigoroso, eficiente e fiável. Falhou.

A Juventude do JPP exige o apuramento de responsabilidades políticas e administrativas por esta situação, bem como a adoção de todas as medidas necessárias para garantir que nenhum estudante seja prejudicado por erros do sistema. Exige igualmente que o Governo da República esclareça como pretende salvaguardar os estudantes afetados e prevenir que situações desta natureza voltem a repetir-se.

Os jovens merecem respeito, previsibilidade e um processo de avaliação credível, à altura da importância que os exames nacionais têm para o seu futuro.

Partilhar: