Um novo pedido de exclusão de responsabilidades dos enfermeiros que exercem no Serviço de Medicina 3, do Hospital dos Marmeleiros, vem confirmar, mais uma vez, “o caos em que o PSD/CDS mergulharam a saúde pública regional, a incompetência repetida para encontrar soluções, a falta de profissionais e a forma amadora e politizada como o Governo Regional tem gerido o Serviço de Saúde da Região (SESARAM)”.
A denúncia feita ao Juntos Pelo Povo (JPP), é a segunda no espaço de duas semanas, e repete “os mesmos problemas” que levaram os 65 enfermeiros do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Dr. Nélio Mendonça a também dirigir à Ordem dos Enfermeiros e à administração do SESARAM escusa de responsabilidades.
Os enfermeiros do Serviço de Medicina 3 alegam “não ter as condições necessárias para assegurar uma prestação de cuidados de enfermagem de qualidade com a segurança indispensável em conformidade com a deontologia profissional e com o direito dos cidadãos a cuidados adequados”.
Acrescentam que ao nível dos recursos humanos de enfermagem, aquele serviço “não cumpre com as dotações recomendadas pelas boas práticas nem com as indicadas pela Ordem dos Enfermeiros”.
De acordo com as normas, o Serviço de Medicina 3 devia ter um quadro com 58 enfermeiros, incluindo mais três enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação. “No entanto, conta-se, à presente data, que a equipa de enfermeiros no respetivo serviço é de 26 enfermeiros, dos quais um desempenha funções de enfermeiros gestor, três especialistas em reabilitação, dois em enfermagem de saúde mental e psiquiátrica e uma especialista em enfermagem médico-cirúrgica. Deste grupo de 26 profissionais de enfermagem, há seis que estão ausentes, por ausências prolongadas ou baixa”, é referido num documento enviado à Ordem dos Enfermeiros e à administração do SESARAM com data de 30 de junho.
Num cenário que para os profissionais de enfermagem já era “caótico”, a situação agravou-se depois das notícias do último fim-de-semana dando conta da sobrelotação de doentes nos corredores do Serviço de Urgências do Hospital Dr. Nélio Mendonça, e a decisão das autoridades de fechar o serviço a visitas dos familiares. Na sequência disso, vários doentes foram transferidos do Hospital Dr. Nélio Mendonça para o Hospital dos Marmeleiros, onde foram colocados nos corredores por falta de vagas nas enfermarias.
Com um quadro de enfermeiros que é metade do recomendado, com vários enfermeiros em situação de baixa, mas que as entidades oficiais continuam a contabilizar como se estivessem ao serviço, os turnos “funcionam de forma ilegal”, denunciam. Explicam que há enfermeiros que fazem noite, não descansam, voltam a entrar ao serviço de manhã e, nalguns casos, fazem outro turno nocturno.
As equipas deparam-se também com a falta de auxiliares para os banhos dos doentes, tarefas que têm vindo a ser assumidas por alguns enfermeiros, “já sobrecarregados para desempenhar as suas tarefas e ainda têm de se ocupar com o trabalho auxiliar para não prejudicar os doentes”.
O deputado do JPP Paulo Alves, afirma que “o conhecimento que vamos tendo da real situação no Serviço Regional de Saúde pelos próprios profissionais, parece que só deixa indiferente o Governo Regional, habituado que está a negar as evidências e a construir versões irreais para fugir às suas responsabilidades”.
O parlamentar recomenda ao “Governo Regional que deixe de brincar” com a saúde e o bem-estar dos madeirenses e mostre soluções e competência para resolver os problemas: “A cada ano, a situação piora. Já não é só a falta de respostas nas listas de espera para consultas exames e cirurgias, que aumentaram com a liderança de Miguel Albuquerque, mas é também a crónica falta de profissionais que leva à exaustão dos enfermeiros, dos médicos, dos auxiliares, são as altas problemáticas, os corredores cheios de doentes, a falta de soluções para cuidados continuados, as dívidas aos enfermeiros e médicos por trabalho extra que foi prestado, e quando o cenário se agrava ainda mais, o Governo Regional tenta esconder os problemas dos olhos da população impedido as visitas familiares, é este o modelo de gestão do PSD/CDS na saúde”, critica Paulo Alves.



