JPP diz que fracasso da Fábrica de Algas é “a marca do improviso da governação”

O Juntos Pelo Povo (JPP) lamentou esta quinta-feira o encerramento definitivo da fábrica de microalgas no Porto Santo, decisão confirmada pelo presidente do Governo Regional.

O deputado Rafael Nunes refere que “o fim deste projeto aumenta o número de obras inúteis da responsabilidade do PSD, um investimento desencadeado sem planeamento, sem estudos económicos e de mercado, sem qualquer rigor ou transparência, uma marca muito precisa dos 50 anos do único partido que tem governado a Madeira”, sublinhou.

O deputado do maior partido da oposição diz que o processo esteve sempre envolto em polémica deste o início. A Unidade de Produção de Biomassa do Porto Santo (UPBPS), vulgarmente conhecida por ‘Fábrica das Algas’ do Porto Santo, foi desenvolvida pela Empresa de Electricidade da Madeira (EEM) em 2008, com verbas da “Eléctrica” e fundos destinados à ciência. O objetivo era a produção de biocombustível, “mas nunca chegou a produzir uma única gota”. 

Anunciado como “uma revolução” na produção de biocombustível para transformar o Porto Santo numa “Ilha Verde”, o projeto começou por merecer reparos do Tribunal de Contas (TC) que chegou a apontar que “o investimento em capital fixo totalizou 54,6 milhões de euros”.

Depois do falhanço com a produção de biocombustível, foi tentada a indústria farmacêutica e a produção de adubos. Outro insucesso e milhões de euros de prejuízos.

Em janeiro de 2025, o Conselho de Governo decidiu alienar a participação da empresa pública EEM pelo valor de 34 milhões de euros. Quase 20 anos depois de reconversões falhadas e cerca de 60 milhões de euros de prejuízos, o Governo PSD/CDS reconhece o fracasso e prevê o encerramento do controverso projeto.

Rafael Nunes, que também é vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, termina com críticas e aponta a outros projetos fracassados: “Para a História, fica mais um negócio ruinoso do Governo Regional, através da sua participada EEM, a que é preciso acrescentar a Fábrica das Moscas, a Marina do Lugar de Baixo, a Gare da Pontinha, os heliportos do Hospital Dr. Nélio Mendonça e do Porto Moniz, onde nunca aterrou um único helicóptero, estas são algumas das obras inúteis que comprovam o improviso na governação do PSD, a falta de rigor na utilização dos dinheiros públicos, dinheiro que tanta falta faz quando há milhares de jovens e famílias sem acesso a uma habitação. Isto merece a nossa crítica veemente, mas como disse certa vez um vereador do PSD: ‘ninguém vai preso’.”

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