JPP denuncia situação caótica: camas “entopem” corredores do Hospital

Várias têm sido as denúncias de camas “espalhadas” pelos corredores do Hospital Dr. Nélio Mendonça, com as conhecidas “altas problemáticas”, situação que já foi alertada várias vezes pelo JPP, quer ao Secretário Regional da Saúde, quer à Secretária Regional da Inclusão e Cidadania, no Parlamento Regional, mas até à data, sem solução.

No período do COVID-19, encontrou-se “solução” para conseguir desocupar mais de 250 camas, situação que tem vindo a ser um problema e que tem vindo a aumentar na Região Autónoma da Madeira, tal como refere o próprio relatório de atividades e gestão do SESARAM.

Atualmente, novamente sem solução, as camas avolumam-se nos corredores, sem que exista a devida articulação entre a Secretaria Regional da Inclusão e Cidadania e a Secretaria Regional da Saúde: quando os idosos não têm condições para regressar à sua casa, nem qualquer suporte familiar para o efeito, deixam de ser merecedores de cuidado e respeito das nossas instituições?

Esta situação, completamente inadmissível, retira qualquer Dignidade às Pessoas sendo, infelizmente, uma situação que se tem tornado recorrente e que mostra as prioridades invertidas no que ao apoio e acompanhamento dos idosos diz respeito.

Assistimos, por um lado, a um conjunto de intenções da Secretária Regional da Inclusão e Cidadania, que promete melhores condições de apoio e acompanhamento aos idosos sem, contudo, prestar qualquer esclarecimento à Assembleia, tal como aconteceu com o processo de privatização de equipamentos e respostas sociais sob a tutela do ISSM, IP-RAM, nomeadamente, lares de idosos. Por outro, temos uma Secretaria Regional da Saúde que desvaloriza o forte agravamento das listas de espera, desde 2015, e a constante descapitalização do próprio serviço de saúde público regional, que conta com cada vez maiores dificuldades em responder às necessidades dos utentes, quer por falta de equipamentos, falta de profissionais de saúde e da própria disponibilidade das salas de cirurgia.

Sem que exista coragem de assumir este problema, as “altas problemáticas” aumentam e os corredores do Hospital ficam “entupidos”, assim como vários serviços que acabam por ter camas “reservadas” para estas situações, sendo a ortopedia um caso paradigmático.

Noutras situações em que os idosos até têm alta médica e alta clínica, podendo regressar ao seu domicílio, várias têm sido as situações em que os familiares se deparam com os cateteres ainda nos braços, tal como se verifica pela fotografia anexa (situação que aconteceu nestes últimos dias), comprovando o alheamento em que se encontra o nosso Serviço Regional de Saúde.

Não podemos deixar de questionar: quem terá coragem para assumir que as “altas problemáticas” são um problema que afeta os nossos serviços de saúde, a qualidade de vida destes utentes e que comprovam a inércia do ISSM, IP-RAM na criação de um Plano Estratégico devidamente articulado, para o apoio e acompanhamento de pessoas, maioritariamente idosas, que se encontram nesta situação?

O deputado na ALRAM

Paulo Alves

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