A concelhia do Juntos Pelo Povo (JPP) de Machico lamentou este domingo o cancelamento da edição deste ano da Festa da Uva e do Agricultor, que se realiza na freguesia do Porto da Cruz, e acusou o Governo Regional PSD/CDS de “arbitrariedade”.
Para quem conhece a freguesia, refere uma nota assinada pela deputada Jéssica Teles, sabe que a Festa da Uva faz parte da história do Porto da Cruz e da memória de várias famílias e gerações.
Durante muitos anos, a iniciativa envolveu escolas, associações, grupos culturais e a população, com o tradicional cortejo a mostrar todo o processo da uva, desde a apanha e a pisa no lagar, ao mosto, à água-pé e, finalmente, ao vinho, numa verdadeira celebração da agricultura e das tradições da freguesia.
É por isso que este cancelamento “merece total repúdio” do Juntos Pelo Povo porque “representa uma falta de respeito pelo mundo rural e pelas tradições do seu povo, mas também a arrogância arbitrária do governo PSD/CDS que se arroga ao direito de decidir quais as Casas do Povo que merecem ou não apoio para realizar as suas atividades”, sublinha a deputada e dirigente do maior partido da oposição.
Segundo a organização, a falta de financiamento por parte do Governo Regional está na origem da decisão: “Perante isto, importa questionar os critérios de atribuição dos apoios às Casas do Povo destinados à organização de eventos, pois suscitam dúvidas na forma, aparentemente discriminatória, quando se escolhe esta ou aquela Casa do Povo em detrimento de outras, tudo feito sem a mínima transparência e critério”, frisou.
O JPP entende que esta deve ser uma oportunidade para repensar que Festa da Uva que queremos. O evento é uma celebração da agricultura e dos agricultores, pelo que estes devem estar no centro. Devem ter espaço para mostrar aquilo que produzem, divulgar o seu trabalho e valorizar os produtos da nossa terra.
“E, se não for possível garantir isso, então é legítimo reivindicar mais apoios diretos aos agricultores, pois existem necessidades muito concretas: acessos às explorações, muros de pedra de proteção, equipamentos, apoio à produção e materiais necessários para trabalhar a terra”, enumerou Jéssica Teles.
O JPP Machico solidariza-se com os agricultores, produtores e todos aqueles que trabalham para manter esta tradição tão única. “Esperamos que este cancelamento não signifique o fim da Festa da Uva, porque a celebração faz todo o sentido quando é, acima de tudo, uma festa da agricultura, dos agricultores e dos produtos do Porto da Cruz”, concluiu.



