A candidatura do Juntos Pelo Povo (JPP) à presidência da Câmara Municipal do Funchal enfatizou este sábado que “mais de 120 anos depois de ter circulado no Funchal o primeiro automóvel, a cidade continua refém desse meio de transporte, nunca foi capaz de acompanhar a evolução nem implementar alternativas modernas, mobilidade suave e económica, e aquilo que hoje a Câmara PSD/CDS oferece aos funchalenses é o mesmo que já havia há mais de um século”.
Numa ação de contactos com a população no Funchal, a candidata independente e cabeça-de-lista do JPP diz ter alguma dificuldade em perceber “o deixa-andar” de quem tem mais de 40 anos à frente à Câmara do Funchal, o PSD com o apoio do CDS: “Sinceramente, torna-se difícil de compreender a falta de coragem e de iniciativa para modificar as coisas, modernizar, empreender, implementar, há uma estranha maneira de governar que deixa sempre entender que não vale a pena, já está tudo feito, é muito difícil, enfim, a postura de quem está verdadeiramente interessado em obedecer a clientelismo e não planear e resolver as reais necessidades”.
Fátima Aveiro recusa-se a “deixar tudo como está”. A mobilidade e o trânsito, que transformou “num inferno” a vida das famílias nas deslocações casa-escola-trabalho, surge como “segunda maior prioridade” da sua candidatura, logo atrás da falta de habitação.
A candidata já reuniu com diferentes entidades e especialistas sobre a problemática da mobilidade e do trânsito e escutado quem sabe do assunto. “Ainda recentemente, numa conferência realizada no Funchal, foram claras as críticas à rede de transportes públicos do Funchal, que não presta serviço adequado aos residentes nem aos turistas”, contextualizou. “Essa falta de eficiência e de resposta às necessidades, é o que faz com que o turista recorra às rent-a-car e entupa a cidade de carros.”
Fátima Aveiro diz que “o automóvel é uma enorme fonte de receita” para a Região e revela que a previsão para 2025 é de cerca de 50 milhões de euros: “Não quero acreditar que a tentação para não inovar na mobilidade, para manter a cidade cheia de carros, seja para não beliscar a receita do Governo”, sinaliza. “Isso só irá permanecer assim se a câmara continuar PSD/CDS, com o JPP, não, vamos trabalhar alternativas modernas, eficientes e ecológicas, incluindo a mobilidade vertical, a criação de uma rede de ligação rápida e constante, entre as zonas intermédias, onde as pessoas podem estacionar o carro e deslocar-se para o trabalho num meio de transporte coletivo suave e rápido.”
Fátima Aveiro afirma que “evoluir também é prestar atenção a novas formas de fazer, novas formas de viver em conjunto e de refletir os problemas e as necessidades, com a exigência de planeamento prévio das necessidades, mas creio que isso não faz parte da cultura de quem nos governa, seja na Câmara seja no Governo, porque a postura do PSD foi e é a de que nada da oposição presta, é uma arrogância que temos pago com atrasos em muitas questões, o trânsito e a mobilidade fazem parte desse pensamento único”.
De acordo com a candidata, as questões da mobilidade não se resolvem construído mais rotundas, mais vias rápidas, e mais túneis, resolve-se com “alternativas de transportes suaves, eficientes e rápidos, existentes e devidamente testadas nas sociedades modernas, mas também com a mobilidade vertical, investindo em teleféricos e outros meios que ajudam a reduzir a entrada de carros no centro”.
Argumentos para fortalecer a convicção da candidata numa “mudança real” não faltam. Destaca o estudo da TomTom, realizado em 387 cidades mundiais e publicado em março de 2024. Essa investigação refere, no caso de Portugal, que a capital madeirense é onde o registo de trânsito é mais alto, sendo necessários 21 minutos e 30 segundos para percorrer uma distância de 10 quilómetros, colocando desta maneira o Funchal como a única cidade portuguesa a integrar o top 100 do ranking, ocupando o 52.º lugar e a liderança das cidades da Península Ibérica onde se perde mais horas no trânsito.





