JPP acusa PSD de “submissão a Lisboa” na crise da mobilidade aérea

O deputado do Juntos pelo Povo (JPP) na Assembleia da República criticou duramente a gestão da nova plataforma da mobilidade aérea entre a Madeira e o continente, considerando que a situação representa uma “humilhação” para os madeirenses e denunciando o silêncio do PSD Madeira numa altura em que o partido celebra mais uma edição da Festa do Chão da Lagoa.

Para Filipe Sousa, a confusão gerada em torno do novo sistema de reembolso das viagens aéreas é reveladora da forma como o Estado continua a encarar os portugueses residentes nas regiões autónomas.

“Aquilo que deveria ser um direito simples transformou-se num verdadeiro labirinto burocrático, com plataformas, validações, comprovativos, atrasos, dúvidas e cidadãos desesperados sem saber como conseguem exercer um direito que lhes pertence”, afirmou.

O deputado questiona mesmo se este é o conceito de continuidade territorial defendido pelo Estado português. “É assim que o Estado trata milhares de portugueses apenas porque vivem numa ilha?”, interrogou, defendendo que os madeirenses “não podem continuar a ser cobaias de experiências administrativas feitas em gabinetes de Lisboa por quem desconhece ou ignora a realidade da insularidade”.

Mas as críticas do JPP não se dirigem apenas ao Governo da República. O parlamentar aponta igualmente responsabilidades ao Governo Regional e aos representantes social-democratas eleitos para a Assembleia da República.

Segundo o parlamentar, perante os constrangimentos sentidos pelos residentes, o PSD tem optado pelo silêncio. “Onde está a indignação? Onde está a defesa firme dos madeirenses? Onde estão aqueles que, na Madeira, batem com a mão no peito a falar de autonomia, mas perante Lisboa baixam a cabeça e calam-se?”, questionou.

Na leitura do deputado, a ausência de uma posição pública firme por parte dos responsáveis regionais não pode ser confundida com prudência institucional.

“Este silêncio não é prudência institucional. É submissão política ao centralismo de Lisboa”, acusou, acrescentando que “quando o Governo Regional, o PSD e os seus representantes na República se calam perante a confusão, os atrasos e a humilhação dos seus cidadãos, deixam de ser parte da solução e passam a ser cúmplices do problema”.

O JPP considera particularmente contraditório que o PSD reúna apoiantes na Festa do Chão da Lagoa, exaltando a autonomia e a defesa da Madeira, enquanto evita confrontar o Governo da República sobre uma matéria que afeta diretamente milhares de residentes.

“Enquanto no Chão da Lagoa se multiplicam discursos sobre a defesa da Madeira e da autonomia, os madeirenses continuam sem respostas para um problema que lhes complica a vida e limita um direito fundamental”, sustenta o partido.

Como alternativa, o deputado voltou a defender um modelo em que o residente paga apenas o valor subsidiado da viagem, sem necessidade de adiantar centenas de euros nem de aguardar reembolsos.

“Defendi e continuarei a defender uma solução simples: o residente paga apenas o valor final da viagem. Sem adiantamentos de centenas de euros, sem andar atrás de reembolsos e sem plataformas que complicam o que deveria ser simples”, afirmou.

Filipe Sousa concluiu sublinhando que a mobilidade aérea “não é um favor de Lisboa”, mas sim “um direito dos portugueses das ilhas”, garantindo que o JPP continuará a denunciar aquilo que considera ser uma injustiça para com os madeirenses.

“Enquanto alguns escolhem o silêncio e a submissão, nós continuaremos a levantar a voz. Porque a Madeira não precisa de governantes de cabeça baixa. Precisa de quem tenha coragem para defender os madeirenses”, concluiu.

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