No dia 30 de novembro de 2013, numa noite muitíssimo tempestuosa, a zona norte da Madeira e, particularmente, a freguesia e população do Porto da Cruz, deparam-se com uma cheia como há muito tempo não se via.

Tal acontecimento deixou um rasto de destruição bem visível e com consequências catastróficas para os habitantes locais, nomeadamente, inundações que levaram ao deslizamento de terrenos, à destruição de casas, edifícios públicos, estradas e bens materiais. Algumas destas consequências ainda se fazem notar e são motivo de divergência entre as diferentes forças políticas no puder.

Atualmente, o maior motivo de discórdia entre as forças partidárias é a situação do novo Cemitério. Isto porque uns defendem a construção de um novo cemitério, outros a reconstrução e reabilitação dos cemitérios já existentes. O que é facto é que a população do Porto da Cruz está, desde essa altura, sem um cemitério funcional para responder às necessidades da Freguesia.

Durante estes últimos 7 anos e, apesar de todas as promessas feitas, o problema não foi resolvido e criou-se um grande impasse acerca de como resolver esta situação. A pedido da população, a Câmara Municipal de Machico comprometeu-se a reabilitar o espaço desde que, os estudos comprovassem a viabilidade do projeto e houvesse o apoio do Governo Regional, apoio por este prometido aquando da catástrofe.

Segundo a Câmara Municipal, a verba prometida pelo Governo Regional nunca foi disponibilizada, o que faz com que, passado tanto tempo, devido aos elevados custos da obra que não poderão ser apenas suportados pela autarquia, sejam poucas as movimentações no sentido de resolver a situação.

No meu ponto de vista, se por falta de verbas próprias e por não poder contar com o apoio do Governo Regional, a autarquia não consegue proceder à reabilitação do dito “novo cemitério”, mesmo que a população assim o deseje, porque não criar outro projeto, num novo local, com condições de segurança asseguradas e que a autarquia consiga encaixar no seu orçamento?

Por mais que não seja a solução mais desejada é a que no curto/médio prazo me parece ser exequível. Por mais que isto signifique tornar uma construção daquela envergadura inativa. Esta é a solução capaz de responder à necessidade da população mais eficazmente. Tornar o processo muito menos demoroso visto que, não precisando de ajudas externas, a autarquia terá as condições que necessita para resolver a questão de forma muito mais rápida.

Em suma, gostaria de deixar uma crítica muito séria à forma como esta situação foi gerida por ambas as partes, tanto o Governo Regional como a Câmara Municipal de Machico que nunca foram capazes de pôr os seus interesses de parte e olhar de forma objetiva para o que realmente importa, o interesse da população local.

É vergonhoso que passado tanto tempo a Câmara e o Governo Regional não tenham chegado a um consenso em relação a este assunto. Independentemente de serem ou não do mesmo Partido o seu propósito deveria ser o de responder, da melhor e mais eficaz forma possível, aos problemas da população, mas não é isso que acontece. Em vez disso o que observamos são duas forças a remar em sentidos opostos em vez de trabalhar em conjunto em prol da população.

Hoje, mais que nunca, o que o Porto da Cruz precisa é de um cemitério funcional em vez da promessa de novas estradas e a recuperação das já existentes.

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