“Trinta minutos de discurso e nem um segundo para a Madeira e os Açores”
O deputado Filipe Sousa do Juntos pelo Povo (JPP) lamentou hoje que o Primeiro-Ministro tenha passado ao lado das Regiões Autónomas durante a sua intervenção no Debate sobre o Estado da Nação, considerando que a ausência de qualquer referência à Madeira e aos Açores constitui um sinal político profundamente preocupante.
“Durante cerca de trinta minutos ouvimos um discurso repleto de balanços, números, promessas e autoelogios. Mas não houve uma única referência às Regiões Autónomas. Nem uma palavra sobre a Madeira. Nem uma palavra sobre os Açores. Como se quase meio milhão de portugueses simplesmente não existisse”, afirmou.
Para o deputado do JPP, este silêncio “não pode ser encarado como um mero esquecimento”, antes revelando “uma visão centralista do país, onde as Regiões Autónomas continuam a ser tratadas como um assunto secundário”.
Filipe Sousa recorda que continuam por resolver matérias fundamentais para os madeirenses e açorianos, como a mobilidade aérea, a ligação marítima regular entre a Madeira e o continente, a revisão da Lei das Finanças Regionais, sucessivamente adiada, e a compensação efetiva dos custos da insularidade.
“Não houve uma palavra sobre qualquer um destes temas. Nada. Absolutamente nada. Quando um Primeiro-Ministro faz o balanço do Estado da Nação e ignora por completo as Regiões Autónomas, está a transmitir uma mensagem política muito clara sobre aquilo que considera prioritário.”
O deputado sublinha que “Portugal não termina na linha da costa do continente” e lembra que “Madeira e Açores são parte integrante da República, contribuem para o desenvolvimento nacional e merecem o mesmo respeito, a mesma atenção e o mesmo compromisso político”.
“O JPP não aceitará que os madeirenses e os açorianos sejam tratados como portugueses de segunda. Sempre que o Governo optar pelo silêncio, nós faremos ouvir a voz das Regiões Autónomas. Porque Portugal também é Madeira. Portugal também é Açores. E o Estado da Nação nunca estará completo enquanto continuar a ignorar quem vive nas ilhas”, concluiu Filipe Sousa.



