O secretário-geral do Juntos Pelo Povo (JPP), Élvio Sousa, alertou para as dificuldades enfrentadas pelos agricultores madeirenses, defendendo a necessidade urgente de implementar medidas concretas que garantam maior rendimento, competitividade e valorização do setor agrícola regional.
Nas declarações, o líder partidário começou por citar a passagem bíblica de Timóteo, recordando que “o lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos”, sustentando que “o agricultor madeirense continua mal pago”, numa realidade que exige “reflexão, análise e medidas de futuro por parte de todo o setor público e privado”.
Segundo Élvio Sousa, “sem agricultores e sem jovens atraídos para esta atividade, a agricultura está em risco”, defendendo que o setor necessita de “mais estímulo, melhores condições e maior rendimento”.
O dirigente do maior partido da oposição afirmou que compete ao JPP “estabelecer um plano de futuro para a agricultura regional”, através de políticas que aumentem a competitividade económica, melhorem o escoamento dos produtos agrícolas para os mercados interno e externo e reforcem o rendimento dos produtores.
Nas declarações, o líder do JPP recordou que “a Madeira perdeu cerca de 3.800 agricultores nos últimos anos e mais de 15% da sua área agrícola”, acrescentando que muitos terrenos outrora cultivados “estão agora infestados de mato e eucalipto”, segundo dados dos inventários florestais.
Para inverter este cenário, Élvio Sousa defendeu medidas como “a valorização, difusão e consumo dos produtos regionais”, a criação de “bolsas de terras e reservas agrícolas, especialmente para o vinho”, bem como “linhas de apoio bonificado ao tecido empresarial, melhores seguros agrícolas e maior eficiência na gestão da água de regadio”.
O secretário-geral do JPP destacou ainda o trabalho desenvolvido pelo partido na valorização da agricultura regional, apontando para as medidas relacionadas com “o aumento do preço da banana, da uva e da cana-de-açúcar”, considerando tratar-se do reconhecimento “da capacidade de governação e influência do único partido regional”.
Élvio Sousa recordou que “a medida de pagamento da banana extra, defendida pelo JPP ao lado dos produtores, acabou por ser adotada pelo Governo há dois anos”, mas considerou necessário “ir mais longe”, exigindo “uma melhor gestão da empresa pública GESBA que permita aumentar o valor pago pela banana-extra para 1,36 euros por quilo”.
“O JPP, mesmo estando na oposição, tem sido a força política que mais pressionou o Governo PSD/CDS para garantir maior justiça e credibilidade ao mundo rural”, afirmou.
Questionando “como vivem os nossos agricultores”, o líder partidário respondeu que estes vivem “a contar os tostões dia após dia, enfrentando a maior inflação do país e um custo de vida a escaldar”.
O dirigente apontou ainda como exemplo “mais triste do desprezo” pelo setor agrícola o aumento de “apenas dois cêntimos por quilo para os produtores de cana-de-açúcar”, o equivalente a “20 euros por tonelada”.
“Pagar apenas 62 cêntimos por quilo a quem garante a matéria-prima de produtos emblemáticos da Madeira tem apenas um nome: escravatura”, concluiu Élvio Sousa.




