Depois das eleições, e num cenário em que nenhum dos partidos conseguiu maioria absoluta, entramos agora na fase das coligações e acordos pós-eleitorais.

Como alguém que defende a democracia e os seus pressupostos, mas também respeita a vontade do povo soberano, entendo que os acordos pós-eleitorais não devem ser feitos no sentido de negociar lugares e benesses, mas sim no sentido de garantir acordos pontuais a nível parlamentar que permitam a defesa dos direitos dos madeirenses e a concretização de medidas que sirvam para resolver os crónicos problemas da Madeira, as prioridades das famílias, dos jovens, dos idosos, as necessidades da saúde, da mobilidade, do emprego, da economia e do turismo.

Tudo o que vá além disto, e que responda a lógicas de interesse meramente partidário ou pessoal, não me parece legítimo, nem me parece leal para com os que votaram num determinado partido.

O voto é claro: quem vence deve governar e aos outros cabe fiscalizar e lutar para que a governação seja justa, para que responda a prioridades e para que garanta o futuro, e não a gestão imediata que tantas vezes orienta os que chegam ao poder.

Sendo eu um crítico da forma como os partidos tradicionais têm atuado, nunca poderia integrar um governo que não se pautasse pelos valores, pelos critérios e pela ética que tento imprimir à minha forma de estar na política.

Deste modo, a única coligação que admito é com o povo. Por ser a única que faz sentido e porque, na verdade, todo o poder e legitimidade que recebemos é dado por esse mesmo povo. Legitimidades negociadas à margem dos resultados conseguidos nas urnas são uma espécie de traição, uma democracia conseguida na secretaria.

Bem diferente são os acordos parlamentares ou pontuais a bem da população e sem trair a vontade dos que votaram.

Filipe Sousa

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*Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias / 26-09-2019

 

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