Temos vivido tempos improváveis, tempos de incertezas, de medo, de isolamento. A realidade que conhecíamos não existe mais, tudo mudou. A causa desta mudança está num vírus que fez o Mundo parar, o SARS CoV-2 mais conhecido pelo “Novo Coronavírus”.

Perante o estado de Pandemia declarado a 11 de março de 2020 pela Organização Mundial de Saúde, algumas medidas foram instituídas progressivamente, o que para os mais descontraídos ou distraídos surgiu como um exagero. Estas medidas não só perduraram, como sofreram um agravamento durante os 3 estados de emergência declarados pelo Governo da República, obrigando-nos a todos a algo até então desconhecido: a privação parcial da liberdade.

Não é fácil para a grande maioria das pessoas compreenderem o motivo pelo qual as medidas de confinamento foram implementadas. Muitas delas a passarem por situações muito difíceis, quer sejam de ordem financeira, de saúde ou outra. Certo é que o confinamento obrigatório veio agravar ainda mais estas situações e dificultar a resolução destes problemas, o que levou à criação de um novo conjunto de respostas por parte da comunidade. No entanto, a verdade é que se estas medidas de controlo da transmissão não tivessem ocorrido os serviços de saúde teriam colapsado, o número de óbitos teria aumentado drasticamente e os impactos na economia teriam sido ainda mais acentuados.

A situação de confinamento, foi uma fase em que começamos a valorizar as pequenas coisas da vida, desde um simples café numa esplanada ou uma ida ao shopping ou ao cinema. Foi nesta etapa também que tivemos tempo para pensar e repensar a nossa relação com os outros, familiares, colegas ou amigos. O distanciamento social criou um vazio difícil, para não dizer impossível, de preencher. As saudades de um simples abraço…

Hoje, em pleno desconfinamento, retomamos aos poucos a rotina diária. A vida começa a fluir como era usual antes da pandemia. O trânsito parece voltar ao normal e já percebemos facilmente quando estamos em hora de ponta. Respira-se um ambiente de descontração merecido e desejado. Aspiramos à normalidade… mas não é tempo de baixar os braços, é tempo de viver conscientes de que a normalidade é agora outra. A consciência social nunca foi tão pertinente e os nossos atos nunca tiveram tanto impacto como neste momento tão delicado. As medidas de controlo do contágio vão sendo aligeiradas gradualmente e, por isso, é fundamental apelar ao bom senso e à responsabilidade que cada um de nós terá de ter daqui por diante. Não podemos viver eternamente confinados, mas também não podemos viver como se este novo vírus não estivesse em circulação ou nunca tivesse existido. Temos que aprender a viver com o SARS CoV-2 pois o mesmo representa uma ameaça que irá perdurar ainda por tempo indeterminado.

A sobrepopulação, a facilidade e a rapidez com que nos deslocamos num mundo cada vez mais aberto e com menos barreiras, são fatores favorecedores da transmissão dos vírus respiratórios. Se o nosso modelo de desenvolvimento se mantiver com as atuais características é inexorável que surtos infeciosos pandémicos sofram um significativo incremento nos anos vindouros.

Vamos nos habituando a uma nova normalidade, uma aprendizagem consciente que nos obriga a sair de casa sempre de máscara, que nos lembra do distanciamento social, ou das simples medidas de etiqueta respiratória e higienização das mãos. É esta consciência que nos torna mais fortes e mais preparados para enfrentar este inimigo invisível.

Ser consciente não significa ter medo. A utilização da máscara, por exemplo, não nos torna mais fracos ou menos corajosos; significa sim que estamos informados e que tomamos a melhor decisão, por nós e por aqueles que nos rodeiam. É este o caminho a seguir.

PAULA CATANHO

Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária

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