Quatro décadas fazendo o repositório das ricas tradições musicais madeirenses é o “trabalho” da Associação Musical e Cultural Xarabanda. Trazer para a atualidade e imortalizar aquela que é uma das artes definidoras – a nossa música. Tarefa hercúlea e definidora de um labor desprendido que procura resgatar as “cantigas” que os madeirenses criaram em mais de 600 anos de história.

Somos uma amálgama de experiências e vivências. Aquilo que nos define enquanto coletivo, a nossa alma de madeirense, é um mundo de multivivências que ficam, de algum modo, plasmados nos nossos usos e costumes, naquilo que vulgarmente designamos por cultura. É a cultura que nos define por muito que ela seja secundarizada em detrimento do “fazer obra”.

Em 1981 surgiu o agrupamento musical de intervenção cultural “os Algozes” que, à sua maneira, procuravam ir ao encontro das raízes e identidade regionais, expressas no rico e inexplorado cancioneiro regional. João Viveiros, José Camacho, Rui Camacho, Eleutério Corte e Carlos Pereira foram os fundadores do grupo, aos quais se juntariam, mais tarde, João Luís Aguiar, Joel Camacho, Ezequiel Pereira, Guida Batista, Fátima Vasconcelos, Rui Alas e Jorge Martins.

Cerca de 10 anos depois era fundada, a 05 de julho de 1990, a Associação Musical e Cultural Xarabanda. Os elementos que aderiram e assinaram a escritura da constituição, com a denominação de Associação Musical e Cultural Xarabanda, foram: João Manuel
Almeida Viveiros, José António Soares Camacho, Jorge Manuel Gouveia, Helena Maria da Silva Barbosa Camacho, Luís Alberto Gouveia Nunez, Mário André Nóbrega Rosado, Maria Isabel da Silva Gonçalves, Maria do Carmo Lemos Vieira Gouveia, Rui Alberto Camacho e Virgílio Nóbrega Caldeira.

Neste hiato temporal ficaram diversas apresentações pela Região e fora dela, que, paulatinamente, foram consolidando um projeto cultural “suis generis” no panorama da etnocultura musical da Região. Os objetivos, segundo os próprios, seriam “a investigação no domínio da cultura tradicional madeirense, o ensino dos cordofones regionais da tradição popular, ações de formação e sensibilização sobre a música popular e tradicional regional, assim como, organizar e editar um cancioneiro da tradição oral madeirense».

Quarenta anos volvidos e com um palmarés deveras interessante no seu currículo, com apresentações em diversos palcos da Região, nacionais e no estrangeiro, com um notável trabalho de recolha da musicalidade popular, substituindo-se aos organismos públicos que deveriam zelar pelos diversos aspetos do património regional, o balanço possível de fazer está no imenso trabalho realizado até à data, com a edição de discos, revistas, divulgação nas redes sociais, com o objetivo último de divulgar a nossa cultura popular e preservar o rico património que, sem este trabalho da Xarabanda, corria o risco de desaparecer para sempre.

Pelo exposto e no âmbito das suas prerrogativas regimentais, o Grupo Parlamentar do JPP deu entrada ontem, na Assembleia Legislativa da Madeira, de um voto de congratulação pelo 40.º aniversário da Associação Musical e Cultural Xarabanda, relevando o importante contributo para a preservação e divulgação da nossa cultura popular e tradicional, na vertente etno-musical, aquilo que nos distingue e singulariza, instando os seus membros a continuarem o labor que tão bem têm realizado e que o seu exemplo seja “semente” produtiva para projetos que resgatem as nossas tradições, a nossa cultura, da voragem do tempo.

O Presidente do Grupo Parlamentar

Élvio Sousa

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