O turismo na Madeira está em constante mudança. O sector constitui, atualmente, um dos pilares da economia regional e um dos principais sectores geradores da riqueza.
Apesar de, atualmente, consolidado a nível internacional, o destino Madeira necessita reinventar-se, adotando novas estratégias de reposicionamento para que não cometamos o erro de entrar numa subsequente fase de declínio. Este ajuste deverá passar por uma ótica viável de captação de novos nichos de mercado, nos quais se destacam, por exemplo, o turismo familiar, turismo de natureza, turismo ornitológico, entre tantos outros.
Obviamente que estas atividades turísticas deverão estar sempre apoiadas e associadas a uma oferta qualificada de serviços e infraestruturas. É imperativo implementar uma eficaz monitorização destas atividades, visto que as atividades de lazer desenvolvidas em meios naturais podem colocar em perigo áreas sensíveis, como é o caso dos ecossistemas insulares.
Apesar de recentes estudos indicarem que os turistas que procuram a região, fazem-no, maioritariamente, pelo contacto com a natureza, lembremo-nos que transitamos de um turismo massivo para um turismo cada vez mais especializado, informado e exigente. Este novo paradigma turístico, necessita de uma clara aposta em infraestruturas de qualidade e enquadradas na paisagem com valorização dos recursos locais e com extremo rigor científico nas informações que lhes são prestadas. A atual aposta do Governo Regional na requalificação das casas de abrigo e reabilitação dos caminhos reais apresenta-se como um “balão de oxigénio” num turismo já de si sufocado por uma intensa pressão e com falta de opções que tornem esta área mais diversa e abrangente.
O paradigma pode mudar. Há que apostar em produtos de valor acrescentado à oferta atual de turismo dirigido aos visitantes da região. Há que promover o desenvolvimento rural, usando, como ferramentas, a singularidade dos seus espaços naturais e da sua biodiversidade.
Tomemos como exemplo, o turismo de observação de aves, um sector em crescimento em todo o mundo e, atualmente o maior setor turístico a nível mundial na área de observação da vida selvagem, que movimenta no Reino Unido cerca de 290 milhões de euros/ano, o que se reflete em mais de 500.000 postos de trabalho.
Em jeito de síntese, importa refletir sobre as condições do desafio com o qual nos deparamos.
Temos de nos recordar do que somos, o que detemos e como poderemos nos adequar, de uma forma sustentável, aos novos padrões e condicionalismos da procura e como poderemos promover e gerir da melhor forma, todas os proveitos que nos traz a marca “Madeira”.
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