Um dos grandes pilares da nossa sociedade é a Educação. Matéria de interesse específico regional, merece uma atenção redobrada por parte de quem nos governa.
Sem querer entrar numa linha de acusações ao que de mal se fez nos ultímos anos na Madeira, apenas quero lembrar algumas questões recentemente vindas a público e para as quais devem ser equacionadas soluções bem planeadas e com visão futurista.
1 – Temos o abandono escolar a subir 0,9 % (embora estejemos a falar de uma faixa etária entre os 18 e 24 anos), tendo em 2015 a segunda maior taxa de abandono escolar precoce – educação e formação, depois dos Açores (28,8 %), e a Madeira com 23,6 %. A nível continental temos a taxa de 12,9 %. No entanto, sabemos que este ano a tendência de subida contraria as descidas dos últimos três anos e as causas para esta subida são desconhecidas por parte da própria tutela. Ou seja, a secretaria Regional de Educação, apesar de valorizar esta subida no abandono escolar, diz que “não existe uma justificação simples nem uma causa determinada” (…) in DN 14 de fev. 2016.
Contudo, para quem está propositadamente esquecido, lembro que as consequências das opções políticas educativas dos últimos tempos, não surgem de imediato.
As medidas implementadas, relativamente às políticas educativas, tanto nacionais como regionais, resultaram num aumento da burocracia, em sucessivos cortes orçamentais, num Estatuto da Carreira Docente desajustado da realidade, num modelo de avaliação docente a precisar de revisão logo a partir do momento que entra em vigor – devido às suas lacunas/falhas e excessos no processo avaliativo – entre outras medidas que não dignificam a Educação e a Formação do nosso Sistema de Ensino.
Para não falarmos nos procedimentos de apoios às escolas, cujos financiamentos vão chegando a conta-gotas aos estabelecimentos, dificultando a boa gestão dos próprios projetos educativos, implementados por esses mesmos estabelecimentos.
2 – Será oportuno sabermos as reais intenções da Secretaria Regional de Educação, relativamente à pretensão do Governo da República, em alargar a escola a tempo inteiro aos alunos de todo o ensino básico (até ao 9º ano). Não se sabe quanto é que a medida pode custar, mas a intenção do Governo Central é a de que as crianças fiquem na escola até às 19h30.
Esta é uma medida para pôr em prática até 2019. Até essa data, o Governo quer alargar as atividades extracurriculares a todos os alunos do ensino básico, que poderão ter aulas de música, de teatro ou de desporto. Assim, ficamos nós, pais, professores e restantes membros da comunidade escolar, a aguardar para ver o que irá ser feito na Região. Certo é que será preciso contratar mais professores, mais técnicos e funcionários, e isso refletir-se-á num esforço financeiro. De quanto? Não se sabe.
3- Outra novidade emerge das alterações à aposta feita na educação e formação nos últimos anos. As sucessivas alterações e reformas das medidas educativas a implementar – verdade que sem as devidas avaliações criteriosas da sua implementação – resultaram em definições de percursos curriculares que procuram ir ao encontro dos objetivos daqueles alunos ou formandos que não se identificam com o percurso escolar e curricular normal. São alternativas curriculares para estes alunos que têm de estar no ensino até aos 18 anos.
Contra esta oferta curricular surge agora o Ministério da Educação a querer extinguir os Cursos Vocacionais. Ficamos, mais uma vez, a aguardar por alternativas ou soluções para a Região Autónoma da Madeira, pois, cá também temos Cursos Vocacionais.
4- A não aposta numa educação planeada e com uma visão futurista terá consequências para a própria sociedade. Reflete-se, mais cedo ou mais tarde, nas questões prementes da própria sociedade. Logo, são precisas medidas políticas concretas que tenham em conta os reais problemas da sociedade e não medidas avulsas consoante as cores políticas que vão passando pela governação.
[starbox]



