Temos saúde ou temos negócio?

No recente debate potestativo agendado pelo JPP, subordinado ao tema da Saúde, ficaram demasiadas perguntas por responder por parte do senhor Secretário Regional da Saúde, Faria Nunes.

Uma das situações que o Governo Regional PSD tem vindo a esconder, e com o beneplácito do responsável pela tutela, reside na estratégia pensada e calculada de “vender” a Saúde ao privado, com claro prejuízo para o erário público. Uma tendência de outsourcing do PSD, cujos fins acabaremos por descobrir.

A saúde na Madeira encarna diversos problemas, entre outros, a sobrecarga horária de profissionais (médicos, enfermeiros, auxiliares, demais técnicos), a carência de meios materiais, as altas problemáticas, o problema dos transportes demorados depois da alta nas urgências, a falta de camas para o tratamento de doentes agudos, a saída de médicos (sobretudo para o privado e por aposentação), obras estratégicas ao nível de equipamento paradas; a falta de profissionais em diversas áreas (tais como a ortopedia), contratos de manutenção parados, a situação de rutura do Hospital dos Marmeleiros (que não aguentará mais 3 anos) e um projeto para um novo hospital, que só lá para 2036 será fisicamente concluído (segundo as declarações do anterior secretário).

Um dos aspetos que têm vindo a ser aclarados ultimamente, para o setor da Saúde, é a de que o dinheiro não será o problema. Já o disse o secretário das Finanças, Rui Gonçalves, na Assembleia Legislativa a 1 de abril, e disse-o o presidente do Governo, Miguel Albuquerque, mais recentemente.

O senhor secretário da Saúde afirmou, a 25 de março, ao JM, que “connosco não vamos ter a privatização da Saúde”. Ora vejamos dois exemplos que demonstram que o SESARAM poderia rentabilizar as unidades existentes para poupar milhões, mas contrariamente prefere entregar os serviços aos privados:

1. Por que razão, o hospital – ao dispor de um edifício da Unidade de Medicina Nuclear, com um financiamento comparticipado da UE de 85%, que permitiria poupar milhões de euros por ano, (e reduzir substancialmente a mortalidade resultante dos casos de cancro, evitaria, por exemplo, que utentes se deslocassem a Lisboa para a situação de micronódulos) – não avança com esse serviço? No hospital, haveria um custo 20 a 30 vezes mais baixo do que recorrer ao privado. O caso está a ser investigado e o JPP já pediu a presença do senhor secretário Faria Nunes, para explicar os moldes da situação.

2. A nova Hemodiálise do Hospital, terminada em 2015, com a mais recente tecnologia, e que pode tratar cerca de 60 doentes. A ampliação do serviço de hemodiálise conseguiu estar terminada em 2015, com um investimento de 1 milhão e 200 mil euros. Com instalações prontas, com custos de hemodiálise elevadíssimos (na ordem dos 320 a 340 mil euros mensais) e totalmente suportados pelo IA-Saúde (que está a pagar aos privados para fazerem estes serviços), será esta modalidade uma estratégia de defender o interesse público? Teríamos poupanças na ordem de 1 milhão e 800 mil euros anuais, dinheiro esse, que poderia ser alocado para evitar a falta de medicamentos… (que o senhor secretário afirmou, em entrevista, que jamais voltaria a acontecer).

Caberá à fiscalização, aos cidadãos e aos partidos que auditam o Governo PSD, reunirem os elementos, que provam as situações lesivas para o interesse público.

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