Porque teme o PSD a fiscalização do JM?

Questiono, várias vezes, quais as razões objetivas dos diferentes órgãos eleitos pelo PSD (Governo e Assembleia) para recusarem, terminantemente, a realização de uma fiscalização às contas do JM e, consequentemente, uma auditoria à gestão de mais de 50 milhões de suprimentos dos contribuintes injetados no JM.

Começo a perceber, juntando o puzzle, que vem sendo desmontado pela aparente (diria, vestimenta externa) da dita “renovação” social-democrata.

Por um lado temos um PSD que se diz renovado, reciclado, moderno, do tipo “new look”, que apregoa a transparência, a responsabilidade, o rigor. Por outro, os ensinamentos tradicionais de uma escola fechada, com os velhos hábitos de uma administração cerrada, sob a conduta de interioridade.

Esta é a realidade inteligível. Ora vejamos, com três exemplos característicos e atuais.

Primeira recusa: A considerável resistência da secretaria de Sérgio Marques e seus emissários na nova administração do JM em facultar a documentação das contas daquele matutino. Documentos esses que o Governo PSD e a Administração do JM foram obrigados a facultar por imposição do Tribunal.

Segunda recusa: Por duas vezes, no ano passado, e agora há menos de uma semana, a maioria PSD na Assembleia chumba duas comissões de inquérito, propostas pelo JPP, para a auditoria às contas e às dívidas do JM.

Terceira recusa: Mais fresquinha e mais um inegável sintoma de que a dita “renovação” é uma falácia, é um instrumento de artificializar externamente o que se diz aparentemente ser, e não o que se é, na verdade. Foram pedidos relatórios de ação controlo ao JM, à Inspeção Regional de Finanças, da Secretaria Regional das Finanças e da Administração Pública, um dos rostos mais visíveis da apregoada transparência e do rigor. Inacreditavelmente, a senhora inspetora Lucilina Sousa, na lida do pesado sintoma da velha administração fechada, remete documentos com a expurgação deliberada de informação.

Quando o assunto é um jornal que ainda recebe milhões do contribuinte, a “água parece ser estancada” na nascente. De propósito, sem dúvida. Daí que permanece claro, que aquilo que foi apagado, imputa responsabilidades à gestão do JM. Mas também vai fazer correr mais água para o senhor secretário regional da “transparência”.

Bom, chegados aqui, e com apenas três exemplos, pois tenho presente dezenas de outros casos – para não falar de outras secretarias e empresas do setor público, que recorrem a expedientes vários (e até dignos de uma sebenta humorística para recusar informação) – poderá, legitimamente, questionar-se: porque teme o Governo PSD, a investigação do JPP ao JM?

Perguntar-se-á, também, por que razão, uma entidade (Inspeção Regional de Finanças, da Secretaria Regional das Finanças e da Administração Pública), que tem como missão supervisionar os erros, omissões e abusos das administrações, incorre num flagrante abuso e ilegalidade? Por que razão se desenvolve tanta energia em deliberadamente esconder, omitir, afastar a fiscalização?

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