A renovação e os outros

Em corrida acelerada para as autárquicas de 2017, é cada vez mais notório um certo fervilhar de campanha eleitoral. Um certo sentimento de que vale tudo, de que o ilusionismo apaga a memória e a verdade. Passes de magia de alguns que se julgam donos da consciência do povo.

Este clima reina principalmente em torno do PSD, que desde há três anos anda a tentar digerir a azia de ter perdido grande parte das autarquias na Madeira.

Esquecendo-se de que as perdeu porque mereceu, vem agora, montado na dita renovação, (aquela que afinal pouco renovou) esgrimir argumentos tendenciosos e falsos.

Na boca destes senhores, que querem reconquistar o que perderam a todo o custo e sem explicar bem para quê, as câmaras que foram conquistadas pela oposição entraram numa espécie de buraco negro, e as populações estão, por isso, desesperadas pelo regresso dos salvadores do PSD.

Esquecem-se é que não são as autarquias as culpadas pelas desgraças que têm vitimado o povo, como é o caso da falta de medicamentos no hospital, do estado geral da saúde, do logro que é o novo subsídio de mobilidade e da desilusão em que redundaram grande parte das promessas, nomeadamente no que à política de transportes e mobilidade diz respeito.

De qualquer forma, são estes senhores que nos têm tão “sabiamente” governado, que agora se arvoram em salvadores das pátrias autárquicas que perderam.

E, pasme-se, explicam esta vontade de reconquista com falta de investimento por parte das autarquias, que, segundo dizem, nada fizeram durante os últimos três anos.

O argumento não só é falso, como revela dois pesos e duas medidas. Ou seja, a recuperação financeira é trabalho para apresentar à população em grandes parangonas se for levada a cabo pelo executivo do Dr. Miguel Albuquerque, mas se for feito pelos autarcas, nomeadamente os da oposição, é sinal de que nada fazem.

Depois, era bom que explicassem como seria possível apresentar grandes obras com as dívidas que o vosso querido PSD deixou na maioria das Câmaras. Não apresentamos obras porque vivemos das sobras do vosso repasto sem lei, vergonha, ou decência. E estamos a trabalhar no duro para criar os alicerces para investimentos futuros, que se façam de acordo com a lei e de forma sustentada e responsável.

Já se passaram três anos, mas penso que o povo ainda se lembra da vossa marca.

De qualquer forma, é Natal, e ninguém leva a mal. Desejo a todos umas Boas Festas e um Próspero Ano Novo.

Filipe Sousa, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz

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