Receita tripla na Saúde

Saiu o tiro pela culatra… outra vez. Pouco mais de ano e meio após a tomada de posse, o Governo Regional da Madeira substitui, pela terceira vez, o Secretário Regional da Saúde. Parece que acontece tudo ao contrário do que esperava ou pretendia o Dr. Miguel Albuquerque, num trabalho que, sendo de equipa, demora a encontrar um jogador à altura dos penáltis que urgem marcar-se nas promessas da campanha eleitoral.

A nova mudança na Saúde era já aguardada mas faltava acertar o calendário político: resolver os assuntos internos do PSD e construir uma saída airosa, se é que isso é possível, para o Secretário Regional cessante, uma situação que demonstra de forma clara as prioridades do partido que governa a região, enquanto pessoas doentes, ou com altas problemáticas, proliferam nos corredores dos nossos hospitais e em alguns centros de saúde, por falta de quem os receba ou quem os transporte, numa resposta social desadequada ao que a dignidade humana exige.

O governo aposta novamente num médico para gestor do setor da Saúde. Só me resta acreditar que o Dr. Pedro Ramos trará consigo ferramentas do foro não cirúrgico para consertar os desconcertos que proliferam na Secretaria mais mediática da atualidade.

A longo prazo, que não fique esquecida a materialização do Hospital Central da Madeira num exercício primeiro de mea-culpa pelo atraso da sua construção e não de responsabilização única do Governo da República. A curto prazo, priorize-se a redução das listas de espera através da transparência nos atos, cumpra-se a promessa do cheque cirurgia quando os tempos médios de espera não forem respeitados, contratem-se mais meios humanos para dar dignidade a quem padece, pagando ainda a tempo e horas os fornecedores de materiais de trabalho e medicamentos.

Isto seria o aceitável. Mas somos pessoas realistas. O novo Secretário Regional da Saúde ainda não tomava posse e já se demitia o Conselho de Administração do SESARAM. Motivo claro, abuso de poder do Governo Regional nomeando novo diretor clínico à revelia das competências que cabem a este organismo, somando ainda a discordância com a nova escolha para Secretário. Pessoas sérias como a Dr.ª Maria João Monte não se deixam pisar. Ou ser mulher induziu em erro? A ditadura camuflada continua aí, lembremo-nos dos últimos discursos sobre quem “discorda” dentro do PSD.

Tirando os veteranos que se estão a borrifar para o que o presidente do partido ou do grupo parlamentar pensam, o resto “pia baixinho”, abana a cabeça para cima e para baixo, enche plateias, segura o que tem no bolso e segue pela sombra.

Voltando ao fiasco da notícia da terceira nomeação na pasta da Saúde, optou-se por uma tomada de posse “rapidinha” entre os dias de Natal que, com muita sorte, não apareceram metade dos que deviam lá estar e assim os comentários a mais este espalhanço governativo passarão despercebidos entre as canas do fogo-de-artifício ou, como também se diz, entre as gotas de chuva.

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