Sou avessa a promessas. Talvez por valorizar em demasia o peso da palavra dada sempre me vou esquivando de promessas que ressoam para mim como compromisso, como dever, como que uma corda que me deixa presa à espera que o cumprimento do prometido finalmente me liberte. Cada vez que a minha filha, com os seus olhos doces de menina mimada, me questiona “Prometes, Mãe?” tudo em mim estremece perante o peso da responsabilidade. E a todas as vezes nego esse compromisso. Sou incapaz de prometer seja lá o que for, exatamente porque não sou capaz de lidar com a possibilidade de não cumprir.
Mas, por estes dias, quanto vale uma promessa? E nos próximos meses, com o aproximar da corrida, quanto valerá? Quantos nos dias, nas semanas, nos meses seguintes à eleição se lembrarão do peso das suas promessas? A promessa, por estes dias, soa mais a arma do que a compromisso. Soa mais a propaganda do que a intenção.
E os que votam? Como veem as promessas? Será que acreditam? Quantas pessoas sequer ouvem as promessas dos políticos em véspera das eleições? Quantas pessoas sequer se dão à maçada de discorrer o rol antes de colocarem a cruz no seu escolhido?
E quando a promessa não é cumprida, o que acontece? Rigorosamente nada! É ponto assente que a promessa faz parte do jogo político, que ao político cabe prometer, oferecer a canetinha, beijar, cumprimentar e ao povo cabe fingir que acredita.
Não sejamos inocentes em pensar que todas as promessas podem ser cumpridas, sabemos dos constrangimentos, dos imprevistos, das verdades mascaradas que tantas vezes levam a que se altere o curso daquilo que estava delineado, daquilo que existe debaixo do tapete e que só é possível conhecer uma vez no terreno, mas sejamos honestos quando prometemos! Sejamos leais à nossa palavra, sejamos verdadeiros. E quando vestimos a pele do eleitor, façamos cumprir, exijamos, questionemos.
Nos próximos meses será tempo de muita promessa e, se não me engano, na área social, será o tudo por tudo. Haverá fartura, fartura de casas, fartura de apoios, fartura de telhas e de cimento, fartura de vales de compras, fartura daquilo que se tem e que não se tem. Que bom, que pelo menos nos próximos meses não será mais necessário viver no barracão nem pedir para comer! Pena que daqui até às próximas eleições só falte um par de meses!
Sejamos observadores e, no momento da escolha, saibamos distinguir de entre todo o ruído da promessa o trabalho efetivo, entre o que se pretende fazer e aquilo que realmente se pode fazer. E quando não for possível cumprir, questionemos. Temos esse direito!
CÁTIA PESTANA
Arquivista



