Pois é meus amigos. Depois do balde de água fria que o PSD tomou nas últimas eleições autárquicas em Santa Cruz, convencidos de que o povo teria memória curta perante tanta propaganda laranja recheada de omissão, manipulação e mentira, eis que tudo parece começar e terminar em Santa Cruz.
Transformaram o Parlamento Regional numa espécie de Assembleia Municipal paralela de Santa Cruz. E agora até no Telejornal da RTP Madeira virou moda o Grupo Parlamentar do PSD visitar o concelho para produzir ataques políticos disfarçados de notícia.
O objetivo é tão transparente que chega a ser paradoxal face à opacidade que é marca indelével do partido que governa a Região há meio século.
É caso para dizer: “Cuidado Funchal, a este ritmo qualquer dia o PSD quer mudar a capital da Madeira para Santa Cruz.”
A estratégia é clara: manipular, mentir, deturpar. Vale tudo para atacar o JPP, o único partido que rivaliza e que representa uma real ameaça ao domínio laranja e aos “interesses” que vivem há dezenas de anos a beneficiar de um sistema que orbita em torno do Orçamento Regional e do bolso dos Madeirenses.
Para os menos atentos, as incursões da cúpula da bancada laranja em Santa Cruz, cuja estratégia menoriza a própria estrutura local do PSD, relegando vereadores sociais-democratas para segundo e até terceiro plano, podem até parecer estranhas. “Porque se fala tanto de Santa Cruz?”, muitos questionarão. Outros julgarão ironicamente que se trata de uma espécie de síndrome do foro sociológico que afeta diretamente dirigentes laranja: um Transtorno Obsessivo por Santa Cruz (TOSC).
A verdadeira razão é medo. Sim, medo!
O JPP tem apenas 11 anos de idade como partido, mas há mais de uma década que vem desbravando caminho e fazendo aquilo que muitos diziam impossível. O receio chega a ser palpável nas hostes laranja. É uma “miúfa” tal que nem se importam de se expor ao ridículo para atingir os seus fins. Aliás basta ver o julgamento a que são submetidos nas redes sociais, a vox populi, afinal, não parece ter assim tanta memória curta.
Mas o grande problema do PSD Madeira é que há pouco por onde pegar na governação do JPP em Santa Cruz. Ainda assim, faz todo o sentido que tentem desvalorizar o trabalho do seu principal adversário político. A verdade é que o JPP, nascido enquanto movimento e hoje consolidado como força política, é um projeto difícil de abalar: não recua, não se intimida e acabou por transformar Santa Cruz num exemplo para a Região e para o País.
E o povo não tem memória curta. Recorda-se bem da vergonha e dos “escândalos” deixados pela governação social-democrata em Santa Cruz: uma Câmara em situação de falência, sem capacidade sequer para pagar vencimentos, afundada em dezenas de milhões de euros de dívida. Um cenário verdadeiramente apocalíptico, cuja fatura o PSD pretendia entregar aos munícipes através de um plano de ajustamento económico que incluía, entre várias medidas, o aumento do IMI à taxa máxima.
O JPP pegou no “touro pelos cornos” e em apenas 12 anos inverteu totalmente o paradigma, tornou-se um exemplo de recuperação financeira e governação local, sem ajudas do Governo Regional, sem contratos programa, sem seguir a receita laranja de “os contribuintes que paguem”.
Agora agarram-se a argumentos dos quais são os maiores culpados e tentam inverter o ónus, manipulando a verdade, omitindo, como é o caso da ETAR do Caniço. Uma obra da autoria do Governo Regional que é exemplo perfeito da incompetência dos governos PSD, mal construída, cujo funcionamento é deficitário desde o seu início e que nem as questões relacionadas com a propriedade estão resolvidas.
Mas como sempre a verdade está do lado do JPP. O próprio Diretor Regional do Património, Rui Cortez, confirmou que a titularidade da ETAR do Caniço é do Governo Regional e que ainda carece de regularização antes de poder efetivar a cedência definitiva daquele imóvel à autarquia de Santa Cruz.
Portanto a maior arma de arremesso que o PSD tinha para atacar Santa Cruz, era afinal da responsabilidade do Governo Regional, tal como vinha afirmando a autarquia ao longo destes anos.
Tenho a certeza que o simples facto de serem confrontados com a verdade não demoverá o partido do poder na Madeira de continuar a sua senda, aliás basta ver o comportamento truculento dos seus deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, que em todas oportunidades e em todas discussões naquela casa, sacam do bolso o mais frágil “whataboutismo” sobre Santa Cruz.
No fundo, a obsessão do PSD por Santa Cruz acaba por revelar aquilo que mais os inquieta: perceberem que, pela primeira vez em décadas, há quem lhes dispute o poder sem medo. Um caso extremo de TOSC.
Fábio Pires
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