Numa altura em que, cada vez mais, se perspetiva a questão da Saúde, ou falta dela, como uma realidade que é inerente à dimensão Humana, fala-se muito no aumento do número de pessoas doentes – devido a vários fatores, incluindo o aumento da esperança média de vida – quer seja, de casos de cancro, de psiquiatria, da diabetes, ou de outras doenças a que o ser humano está sujeito… A par desta realidade dolorosa, emerge na nossa Região um aumento das listas de espera para consultas, para exames de diagnóstico e por uma cirúrgica. Este aumento revela-se uma consequência das más opções políticas em matéria de Saúde.
Ainda hoje os nossos governantes têm dificuldades em admitir que a Saúde, na Região Autónoma da Madeira, não foi uma prioridade ao longo dos 40 anos de governação do PSD e, por isso, neste momento, este setor apresenta uma avaliação muito negativa. Não pelos profissionais que ali trabalham, mas uma vez mais devido às más opções políticas, nesta matéria.
Sei que alguns leitores poderão não concordar comigo, mas também sei que alguns desses leitores são aqueles que não tiveram, ainda e felizmente, de recorrer a um serviço público de Saúde. Ou podem fazer parte daqueles que, quando precisam, recorrem a consultas em Coimbra, Lisboa ou Porto, ou a outros hospitais ou clínicas privadas dentro ou fora da Região.
Infelizmente, quando a doença bate à porta do cidadão comum, que não tem outra saída senão recorrer aos serviços de Saúde públicos – porque não tem dinheiro para pagar consultas fora, nem pagar 400 euros para a passagem de avião, e porque de barco da Madeira não se pode sair – encontra pela frente um serviço carenciado dos mais básicos materiais médicos e equipamentos obsoletos, que avariam frequentemente (veja-se, por exemplo, a máquina de ressonâncias). Há falta de pensos rápidos nos Centros de Saúde, há falta de medicamentos nos hospitais, há falta de materiais básicos e essenciais para garantir um mínimo de dignidade aos doentes. Pede-se aos familiares para levarem pomadas, medicamentos, lençois e até comida, porque não há nos hospitais ou é escasso. É revoltante chegar ao hospital e verificar que o seu familiar está numa cama molhada e não foi trocado o lençol porque não há lençóis…
Já para não falar do estado deprimente em que se encontra o hospital dos Marmeleiros! Hospital degradado, com condições estruturais e materiais péssimas, com consequências físicas e psicológicas para quem, infelizmente, tem de lá ficar internado. É uma realidade triste, mas é a realidade que temos em pleno século XXI.
Apesar deste cenário triste, o Governo Regional não considera importante apoiar os doentes oncológicos que fazem tratamento fora da RAM, com mais um apoio monetário suplementar – proposta apresentada pelo JPP e chumbada pelo PSD – como acontece nos Açores. Para este Governo, a prioridade passa por apoiar com milhões de euros o futebol profissional, as “falidas” Sociedades de Desenvolvimento da Madeira, (recentemente injetados 38,8 milhões de euros), alimentar as parcerias público privadas e promover os interesses de uns (uma minoria) em detrimento dos interesses da maioria da população!
E esta é apenas a ponta do iceberg… porque quando se faz tantas mudanças no setor da saúde é porque, realmente, muita coisa está mal e há, necessariamente, muito para fazer. Caso contrário, como diz o povo: pouco irá viver, quem não irá ver!
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