Política Jovem ou Política de Jovens?

Nos tempos que correm, onde o Mundo nos entra pela casa adentro sem pedir permissão, somos “brindados” com notícias vindas de todas as latitudes e longitudes. E, no meio de tanta desinformação, ainda é possível descortinar notícias verídicas, facilmente comprováveis e fielmente verdadeiras.

            E vem isto a propósito duma máxima, já gasta pelo tempo, que insiste no desinteresse dos jovens pela Política. Pois bem, será mesmo assim? Ou haverá razões que a própria razão desconhece?

            Num breve exercício de retórica, podemos sugerir que os jovens preferem gastar o seu tempo noutras atividades que não a Política. Ou porque acreditam serem capazes de ter mais utilidade a desempenhar funções que lhe dão mais prazer, ou porque olham para a Política como algo desacreditado, descredibilizado, ultrapassado.

            Por outro lado, há uma força que emerge das profundezas sociais: os movimentos revolucionários, então adormecidos, assentes num discurso do ódio e de perseguição – nada de confundir com os Movimentos Estudantis da década de 60, pois estes tinham um propósito. Agora, o modus operandi dos jovens é instalar a confusão e fomentar a desinformação apoiados por um partido que veio “prometer limpar Portugal”, “acabar com os tachos” e “eliminar a corrupção”. Só que usam o chavão popular “faz o que eu digo, não faças o que eu faço” e assim vão iludindo os jovens com frases bonitas, bélicas, revolucionárias para atingirem o espírito libertador dos jovens. E estes, ávidos de emancipação, buscam naquelas prosápias inócuas aquilo que julgam ser a salvação.

            E, valha a verdade, o súbito interesse pelas redes sociais veio agudizar ainda mais a verdadeira essência de se fazer política séria, de verdade, transparente. O mundo virtual com recurso à IA trouxe dados novos e personagens ao xadrez político. Por um lado, gente impreparada que se aproveitou de um certo descontentamento popular e, por outro lado, gente capaz de “vender a própria mãe” para conseguir os seus propósitos.

            Os partidos ditos tradicionais têm culpa no cartório, pois definham e nem as bases “jotas” conseguem alimentar o status quo, impedindo assim uma qualquer tentativa de renovação do equilíbrio político-partidário. Somos uma população envelhecida, vergada ao peso duma pirâmide demográfica invertida cujo futuro não augura nada de bom. Precisamos de jovens com capacidade de decisão, jovens com fibra e “sangue na guelra”, mas ao mesmo tempo jovens ponderados e conscientes de que serão os responsáveis vindouros. Num recente estudo, elaborado em 2022, afirmou-se que a Geração Z (jovens que têm agora 25/30 anos) é a geração mais instável socialmente, porque vivenciaram uma época áurea onde foram estimulados pela abundância de novos gadgets e avanço tecnológico, provocando assim índices baixos de bem-estar social e emocional. Já dizia Che Guevara que “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”, porque o jovem nos dias de hoje é um insatisfeito por natureza e é incapaz de aceitar o que quer que seja. Procura a sua satisfação através do comodismo, do facilitismo, do laxismo. Basta que lhe acenem com o “Éden” das coisas boas. É claro que, dentro desta Geração Z existem exceções à regra, observando-se jovens ativos, participativos e com “pensar social”. Serão estes jovens os mentores da nova geração, Geração Alpha, capazes de alavancar uma nova visão global. Saibam os Partidos identificar os códigos, descodificá-los e operacionalizar uma verdadeira operação de charme para chamar os jovens para a política.

            O Juntos pelo Povo (JPP), como jovem Partido em ascensão e afirmação no espectro político regional e nacional, apresenta-se com um ideal de Política jovem, fresca, luzidia! É um Partido aberto ao Mundo, com pensamento próprio e onde cada militante e simpatizante tem voz, tem opinião, tem sentido crítico. E é isso que a Geração Alpha precisa. De um Partido que os acolha, que os promova, que os motive nesta árdua batalha contra a nebulosa política mofenta, quezilenta. Porque a Política dos jovens não se compadece com discursos reciclados. A Política dos jovens tem de corporizar um sentimento de pertença, mas uma pertença despojada de interesses. Tal como os jovens de 74 que se lançaram na linha da frente para devolver a Portugal a liberdade, precisamos destes jovens que, nos dias de hoje, troquem as armas por canetas. Tal como os jovens de 75 que consolidaram a nossa Autonomia e desamarraram as cordas que asfixiavam a Madeira face ao centralismo da Metrópole. Os jovens jamais podem ser “armas de arremesso” ao sabor dos mais velhos. Os jovens devem procurar o seu lugar através do mérito, da participação cívica e do dever moral, honrando todos aqueles jovens que no passado ousaram a ditadura, enfrentaram os medos e desafiaram o sistema. Nos 50 anos da nossa Autonomia, não nos quedemos por palavras de circunstância. Precisamos de ação. Só assim garantiremos uma Política séria, virada para as pessoas e para o progresso do nosso país. Portugal e a Madeira não evoluem através das palavras e discursos ocos… Portugal e a Madeira evoluem através da ação e da coragem de todos aqueles que ainda acreditam ser possível reverter o quadro político vigente.

            Winston Churchill afirmou que “a Política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra, a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na Política pode ser morta diversas vezes”. Que os jovens percebam o que está em causa. Que os jovens entendam o valor da participação cívica. Que os jovens façam “Afirmar Portugal” e “Valorizar a Autonomia Madeirense” com valores, ideias. Que os jovens possam ser excitantes ao ponto de motivar outros jovens e que, todos juntos, novos e velhos possamos reativar uma nova Política: Jovem, de jovens para jovens.

José Carlos Mota

Observação:

– A responsabilidade das opiniões emitidas nos artigos de opinião são, única e exclusivamente, dos autores dos mesmos, pois a defesa da pluralidade de ideias e opiniões são a base deste espaço criado no site;

– Os posicionamentos ideológicos e políticos do JPP não se encontram refletidos, necessariamente, nos artigos de opinião contemplados nesse mesmo espaço de opinião.

Partilhar: