Atualmente não é fácil ser jovem em Portugal. A crise financeira, económica e social do nosso país originou sérios problemas para a nossa juventude, nomeadamente o aumento do desemprego, da emigração, da pobreza, em suma, da violação dos nossos direitos, que arduamente foram conquistados pelos nossos antepassados.
Antes do 25 de Abril de 1974, os jovens depararam-se com problemas muito mais graves do que os nossos, uma vez que não havia liberdade de expressão, de reunião, de associação, de criação artística. Não tinham acesso à saúde, à educação, nem a reformas; era permitida a tortura e não tinham direito ao voto livre. Face a estes problemas os nossos corajosos antepassados, insatisfeitos com a situação económica e política do nosso país, optaram por uma participação ativa criando movimentos independentistas, tais como movimentos estudantis, movimentos de operários, Movimento das Forças Armadas, entre outros, que se revoltaram, manifestaram e lutaram pelos seus direitos.
Em contrapartida, na atualidade, vemos jovens que apenas participam subjectivamente na política, através do exercício de voto, ou que se abstêm completamente por não quererem integrar-se e informar-se, contribuindo para o aumento da marginalização e despolitização dos jovens. Assim sendo, é importante que nós, jovens, tomemos consciência dos nossos direitos e deveres políticos, com inerente interesse pelos factos da vida pública, bem como a sucessiva difusão de meios políticos de intervenção no futuro da sociedade.
Existem diferentes maneiras de participarmos ativamente na política. Podemos participar através da militância em partidos da nossa ideologia; do associativismo por meio de associações, sindicatos, movimentos, entre outros. É certo que o voto é a forma mais fácil de participação política, mas convenhamos que esta é uma participação subjetiva. Sabendo que temos liberdade de expressão, reunião, associação e muitos outros direitos que os nossos ascendentes não tinham, não temos justificações para sermos indiferentes e menosprezarmos a política, só porque esse é o caminho mais fácil.
Jovens não sejam conformistas, não desistam dos vossos direitos e não descuidem os vossos deveres. Honrem aquilo pelo que os nossos antepassados lutaram tanto. Não se esqueçam de quem são, dos vossos sonhos, dos vossos projetos de vida. Informem-se, integrem-se, intervenham, lutem pelos vossos direitos, sejam politicamente participativos.
LISANDRA NUNES
Técnica Superior em Educação



