Um parque escolar de qualidade é o ponto de partida na reunião das condições ideais de ensino e aprendizagem para que os nossos alunos possam crescer, quer na vertente física como na vertente da aprendizagem, em condições estimulantes e modernas, caraterísticas marcantes dos países desenvolvidos.
Durante largos anos construíram-se escolas por toda a região levando a educação mais perto dos menos favorecidos e diminuindo as assimetrias sociais e culturais que caraterizavam determinados concelhos e freguesias. Algumas das opções tomadas são hoje contestadas quer pela escolha da localização de algumas escolas, mais periféricas e menos práticas na serventia da maior parte da população, quer pela baixa natalidade que não foi tida em conta em estudos prévios, conduzindo ao fecho compulsivo de algumas instituições perante a indignação daqueles a quem um dia se “deu” a dita escola. Também merecedoras de reflexão estão as escolas construídas dentro dos bairros sociais, evitando que as crianças destas localidades se misturem com o resto do povo, diminuindo as suas oportunidades de abrir horizontes para além da (in)segurança do bairro.
Visitando alguns estabelecimentos de ensino com idade avançada, compreende-se a apreensão da comunidade educativa que, perante o estado de degradação dos mesmos, teme pela “botija de água quente” chamada fusão que mais não é do que o passe para a extinção a longo prazo.
Foi bonito construir e inaugurar “à grande e à francesa”. Continuou sendo bonito contar com as competências das Câmaras Municipais para manutenções de pequena índole. Ficou ainda mais bonito apontar para as Juntas de Freguesia a responsabilidade de assegurar materiais de limpeza e de desgaste rápido. Mas a responsabilidade tem de partir de cima quando chega a hora de avançar com intervenções de fundo na reabilitação de edifícios escolares com História e bem situados, do tempo em que isso era critério principal na escolha do terreno para construção. Se o Governo Regional chegou-se à frente para inaugurar, agora é tempo de consertar, sem empurrar esse custo incomportável para as Câmaras Municipais, lavando as mãos como Pilatos.
Outro aspeto que merece atenção, entre tantos outros, é a qualidade e quantidade da alimentação que é apresentada aos alunos na hora das refeições. Se antes existia um clima familiar entre as cozinheiras e os “meninos”, rodeado de muita sensibilidade às caraterística de cada um, hoje deparamo-nos com o aumento de empresas privadas que servem as refeições nas escolas, igual produção em massa.
Testemunhei e ouvi relatos da fraca qualidade e variedade dos alimentos que são apresentados aos alunos, para não falar da pouca quantidade fornecida a crianças e jovens em crescimento. Os encarregados de educação pagam por este serviço mas desconhecem esta realidade que, como qualquer empresa, visa o lucro cortando aqui e ali, contornando os menus que só são bonitos na parede da entrada da escola.
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