As várias edições do Parlamento Jovem Regional partem da iniciativa conjunta da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira e da Secretaria Regional da Educação. Este ano, o tema versou sobre “As Novas tecnologias no Ensino: a Globalização – Principais Desafios do Século XXI”, refletindo as preocupações deste grupo social em ver as novas tecnologias, comuns no nosso quotidiano, incluídas no desenvolvimento das suas aulas.
Mais do que o trabalho desenvolvido pelos deputados nas mais diversas áreas, que colocam a tónica do debate nos diversos assuntos que preocupam a população madeirense, a participação ativa destes jovens é um contributo genuíno da sua parte na luta por condições de aprendizagem modernas e, acima de tudo, niveladas entre ensino público e privado, principalmente quando este último é financiado pelo governo.
Nesta última edição, os jovens exigiram que as escolas fossem dotadas com mais meios tecnológicos, novas metodologias de ensino, em particular com a inclusão de tablets e a aposta na formação de professores.
Lamentavelmente, entre a vontade de quem é estudante e a decisão de quem governa vai uma longa distância. Vamos a factos: o que temos ainda são escolas onde a internet wi-fi não chega a todas as salas de aulas, onde se espera que estes sejam “modernos” durante as aulas ou passem as horas não letivas a prepará-las; o que temos são recusas da inscrição de professores em ações de formação sobre quadros interativos porque na sua escola não há nenhum (e, assim, nunca vai haver), deixando as mesmas para as elites que trabalham nos privados e alguns sortudos que recolheram verbas, a muito custo, e adquiriram pelo menos um quadro para a sua escola; o que temos são orçamentos muito limitados, a conta-gotas, para material quotidiano, onde o pau de giz e os apagadores ficaram parados no tempo, como se de um privilégio se tratasse.
Quando a Secretaria Regional de Educação for governada por alguém que tenha passado a maior parte da sua carreira em efetividade de funções, taco a taco com os alunos e colegas professores, na ginástica diária das salas de aula, teremos uma luta por mais recursos financeiros que coloquem na sala de aula mobiliário próprio para o trabalho cooperativo, para a sala de aula invertida (flipped classroom), teremos a real hipótese de usar os recursos que acompanham os manuais escolares, fornecidos gratuitamente pelas editoras aos alunos, e que passam o ano todo, na maior parte dos casos, sem sair do envelope digital.
Já existiram campanhas de apoio às famílias para a aquisição de computadores, facilitando o acesso às novas tecnologias e tentando diminuir o fosso entre as famílias pobres e as mais financeiramente capacitadas. No entanto, descobriu-se que quando se pede emprestado é preciso depois pagar, preferindo o governo pagar dívidas de bancos, de empresas públicas fracassadas, em vez de apostar no futuro das novas gerações.
PATRÍCIA SPÍNOLA
Deputada



