“OS CAMISOLINHAS VERDES”

Miguel Albuquerque, há dias, num comício-jantar do PSD referiu-se nestes termos em relação às autarquias do JPP: “Ao fim de três anos e meio de promessas, conversa fiada, camisolinhas verdes, o concelho de Santa Cruz (…) está completamente estagnado, não se vê obra, não se vê desenvolvimento e continua a conversa para enganar tolos”.

No calor de um comício bem regado, é natural que surjam excessos. Sobretudo, quando as palavras emitidas servem, que nem uma luva, no emissor. Habituado que está, a pagar a dívida da Região à custa dos mais altos impostos aplicados ao povo da Madeira (situação que Santa Cruz, sempre recusou e, por isso, até enfrentou o Estado), a “camisolinha verde” lá tem incomodado. Aos esbanjadores e àqueles que, mesmo explorando o povo com a “canga” fiscal, ainda não cumpriram as suas promessas. Falo, concretamente, da criação de emprego, da baixa dos combustíveis, das viagens mais baratas, dos custos de transporte de mercadorias e do inevitável transporte marítimo, entre a Madeira e o Continente.

Na verdade, os “camisolinhas verdes” não precisam de aparecer, como o PSD, a inaugurar becos e veredas. Nas autarquias, e em concreto nas juntas de freguesia, os “camisolinhas verdes” não fazem regularmente “conversa para enganar tolos” nem “estagnaram” os cidadãos com a carga de impostos, com o selo de Albuquerque. Os “verdes” fazem obra, social com ou sem camisola. Encaminham utentes, onde o “pardieiro” da Saúde Regional não encontra respostas, medem a tensão arterial ao domicílio, iniciaram medidas de apoio à aquisição de medicamentos aos pensionistas (que agora a segurança social compreende e adapta), apoiam os estudantes universitários com bolsas e nos luxuosos preços das viagens, estes últimos que sua excelência o presidente do Governo do PSD, jurou baixar.

Mais haveria por dizer, de autocrítica e de bom. Mas é fácil dizer que não há “desenvolvimento” em Santa Cruz, quando se tem a “barriga” cheia, diga-se literalmente. Pois, neste caso, os “camisolas verdes”, que tanto Miguel Albuquerque tenta inferiorizar, não precisam da faca e do queijo. Só necessitam da “fome”, que vem das injustiças e das falhas da social-democracia.

ÉLVIO SOUSA
Deputado

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