O mês de maio costuma ser pródigo em acontecimentos que nos prendem atenções. É no mês de maio que ficamos a conhecer os vários campeões nacionais de futebol um pouco por essa Europa fora, para gáudio de uns e tristeza de outros. Na vertente cultural/artística, é também no mês de maio que acontece o Festival Eurovisão da Canção, certame que este ano fica assombrado pela polémica em torno da participação da concorrente de Israel. Igualmente em maio todos os caminhos vão dar ao Santuário de Fátima onde se assiste à maior manifestação de Fé Mariana com a devoção à Nossa Senhora de Fátima. E, na nossa Região, o mês de maio também congrega alguns eventos de índole turístico, cultural, tradicional, desportivo e educacional. Desde o Desporto Escolar à Festa da Cebola no Caniço, passando Porto Santo Nature Trail ou Madeira Island Ultra Swim. Mas maio na Região combina com Festa da Flor, um evento que já teve tempos áureos e que este ano tem sido alvo de muitas críticas, quer de turistas, operadores turísticos e, sobretudo, dos madeirenses que se identificavam com esta Festa por se tratar da “sua festa”, do ser genuíno e do expoente máximo que atribuía à Madeira o título de Jardim do Atlântico.
A importância do trabalho bem feito é meio caminho andado para o sucesso. Mas, mais importante ainda, é chegar ao topo e lá se manter. Dá trabalho! Se é bem verdade que a Madeira trabalhou muito, mas muito para transformar uma Ilha com graves problemas estruturais, sociais, económicos, também é certo que todo o trabalho hercúleo realizado está a ser desbaratado, vilipendiado e absorvido por políticas do betão armado e do novo “riquismo” que, do alto da sua soberba, espezinha todo um Povo que vive, trabalha e sonha por uma Madeira estável, saudável.
A Madeira está adoecida, dormente com “antibióticos” low-coast ministrados por políticos que mais parecem hipnotizadores ou encantadores de animais. Falam bonito e andam de fato aprumado, enquanto o Povo remenda calças com a maestria de quem sabe que só reciclando o que tem pode sobreviver. O Povo tem três destinos à sua frente: ou se acomoda e se mantém refém destes “engomadinhos”; ou foge daqui como fizeram os nossos antepassados; ou levanta a voz e enfrenta o “touro”.
No tempo da ditadura, Salazar ecoava aos 7 ventos as premissas do “seu Portugal”: Fado, Fátima e Futebol. Os 3 F’s que serviam para inebriar um Povo subjugado à pressão, ao medo, à miséria. Um Povo que se estendia de lés a lés, sem perspetivas de futuro. E na Madeira, o cenário ainda era mais desolador pela condição de Povo Ilhéu, ostracizado pela República. Basta relembrar o que aconteceu em 1931 com a Revolta da Farinha ou em 1962 com a Revolta da Água. Dois momentos que marcam a História da Madeira e que comprovam a força e resiliência dum Povo que não se acomodou. E o Madeirense, bravo e estoico, fez-se ao mar em busca duma vida melhor.
Mas a Madeira precisa de 3 F’s novos. Se bem que os 3 anteriores definem a identidade de Portugal pela sua História e Tradição, elevando Amália Rodrigues, Fátima e Eusébio ao estatuto de imortais, o nosso país não pode ficar acorrentado às memórias do passado. Tem de progredir com racionalidade, sustentabilidade e seriedade. E a Madeira, parte integrante deste território tão nosso precisa de voltar a Florescer para que o Futuro possa serFormoso. Os 3 F’s da atualidade não podem ser propriedade privada de uns poucos. Têm de ser para todos, sem exceção. E o futuro constrói-se hoje porque, como nos diz Séneca “Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente.”
José Carlos Mota
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