O que as pessoas esperam de nós

Confesso que, até bem perto dos meus 40 anos de idade, não olhava para a política com muita consideração. Confesso até que me repugnava a ação de alguns políticos e das políticas por eles defendidas, muito assentes em interesses e agendas que me pareciam pouco dirigidas às pessoas que serviam, mas mais dirigidas a si próprios. A partir de certa altura, admito que comecei a apreciar mais as políticas municipais com a entrada em cena do Movimento Juntos pelo Povo. Um movimento que veio trazer uma nova forma de pensar e de agir, de fazer política! Um movimento, que já convertido em partido, me convida, para meu espanto e surpresa pessoal, a integrar e liderar uma lista para a autarquia do Caniço. Confesso que me ri, ao ponto de me questionar: Porque eu? Acabei por aceitar este desafio porque a credibilidade das pessoas que persistiram no convite, que contavam comigo, me mereceram total confiança! E que desafio tem sido!

A verdade é que, depois assumir a Presidência da Junta de Freguesia do Caniço, tenho vindo a fazer muitas autoanálises e autoavaliações. Porque o nosso lema sempre foi: “estamos num partido que é diferente para melhor, também queremos ser diferentes e fazer a diferença na política!”. Como? Escolhendo uma EQUIPA competente e delineando um Programa para as pessoas, concebido por pessoas e contando com a colaboração destas mesmas pessoas. Somos do Povo, sinceros, frontais e presentes. Sem elitismos, mas com a humildade suficiente para preferir perder por ser sincero a perder por prometer e não cumprir! Queremos ser diferentes, optando sempre por um discurso coerente, assertivo e nunca desrespeitar ninguém! Nunca deixar ninguém sem resposta, ainda que a mesma possa não corresponder às expetativas de quem nos procura. Afinal, governar é como educar. O “não” é uma ferramenta necessária para estabelecer limites e distinguir o que pode e o que não pode ser.

Acreditamos em nunca virar a cara às pessoas. Parar, ouvir e ir ao encontro delas, transmitindo um capital de confiança. O verdadeiro âmago do Poder Local é demonstrar total disponibilidade para ouvir as pessoas e, juntamente com elas, tentar resolver os seus problemas. Antecipá-los, evitá-los, e agirmos atempadamente sem deixar margem para que as pessoas se envergonhem por ter de pedir de ajuda.

É isto que eu espero dos políticos! É isto que o Povo espera dos políticos. Estamos fartos de promessas ocas e de políticas de “gabinete”. É preciso uma política ética de trabalho, uma política robusta e musculada que vá para o terreno sentir as dificuldades das pessoas. Ou seja, uma política de ação e não de reação!

Todos os dias somos confrontados com problemas estruturais que afetam a vida das pessoas. Podemos falar numa brutal crise sem precedentes na habitação e o que se assiste é uma total inércia dos nossos governantes. Não reagem, não apresentam soluções ou apresentam algumas soluções com efeitos 2 anos depois e ainda se vangloriam que deixam “obra feita”. Podemos falar nos problemas nos Transportes Públicos, no trânsito e na escassez de alternativas viárias. Os nossos políticos assobiam para o lado, impávidos e serenos! O custo de vida está em valores altíssimos e o acesso ao crédito está condicionado, levando ao adiamento dos nossos jovens em conseguir casa e constituir família. E os políticos o que fazem? Nada! E quando resolvem agir, na maioria das vezes, é para agravar ainda mais o dia a dia das pessoas, tornando mais penosa a sua sobrevivência. Exemplo disso está a última decisão conhecida de aumentar o preço da água! Oneram ainda mais os munícipes e nem sequer oferecem uma rede digna de distribuição de água potável! Muito tem feito o Município de Santa Cruz para combater este flagelo! Todos vamos sentir este aumento, a não ser que os Municípios suportem o valor do mesmo de forma que os munícipes não vejam a sua conta de água a subir. Temos políticos de régua e esquadro, faltam-nos políticos com Visão, com Planeamento, com sentido de Missão! Que dizer da empregabilidade? Os nossos melhores ativos, jovens que se formam na nossa Universidade ou noutra do território nacional, são obrigados a sair da Ilha, a emigrar em busca do reconhecimento profissional. E os nossos políticos, de peito feito, afirmam que o emprego jovem está bem e recomenda-se!

Na verdade, muito mais haveria a dizer. A Madeira precisa de uma mudança de paradigma. A Madeira precisa de rejuvenescer a sua classe política para que as pessoas voltem a acreditar nos políticos. Queremos políticos dedicados à Causa Pública. Políticos de Alma e Coração que consigam descodificar o código popular. Políticos que desçam do pedestal e se desvinculem dos seus egos, e se misturem com o Povo. O silêncio que se ouve lá do alto não quantifica o burburinho de cá de baixo. E é esse burburinho ao qual temos de dar atenção!

Milton Teixeira, presidente da Junta de Freguesia do Caniço

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